quinta-feira, 11 de julho de 2019

Destinos e destinados

 Destinos e destinados: 2ª parte por António Brás
De volta às suas casas, com um menino nos braços, as mulheres não sendo vítimas de poligamia, porque efetivamente só houve um casamento oficial, sentiram o peso das responsabilidades que por força das circunstâncias adviriam mais tarde ou mais cedo, e ao mesmo tempo o maravilhoso sentimento de serem mães, o carinho, afeto, de quem pare e lambe as crias tornadas seres vivos.
Imperou nestas circunstâncias a superintendência pessoal de um homem desobrigado, cuja conduta irresponsável, levou estas mulheres ao desalento, um incondicional machista, afetado psicologicamente pela superioridade de ser o moleiro mais carregado de moedas, o galo superior da capoeira, a malvadez encarnada num corpo hircoso, o baboso que não merece consideração.
Fernanda foi a primeira das três mulheres a dar à luz, um lindo menino, com quatro kg de peso e 52 cm de altura. Entretanto durante os nove meses de gravidez, houve grandes mudanças na sua vida pessoal. Casara com o Sr. Félix pelo civil, para que o seu filho à nascença fosse registado com apelido, e, porque se sentia só, embora naquela casa não lhe faltasse nada. Amava aquele homem, ao qual nunca deixou de chamar Sr., de uma maneira especial, carinhosamente, como se fosse seu pai, e respeitava-o dignamente com fervor. Foi também nesta ocasião que o Sr. Doutor meteu férias sem prazo, para ajudar a sua protegida no que fosse necessário. Saíam de manhãzinha passear, antes dos raios de sol terem aquela agressividade que poderia ser prejudicial ao bebé que começava a movimentar-se no ventre da mãe, visitavam frequentemente o jardim de Arca de Água onde reinava a paz de espirito, e os passarinhos chilreavam quando os progenitores lhes traziam os cibacos num vaivém desenfreado, fazendo meditar a rapariga no que teria sido a sua vida se não tivesse
 encontrado aquele anjo da guarda? E o Sr Félix não gostava de a ver com aquele ar apreensivo procurando de uma maneira ou de outra, fazê-la sorrir e esquecer por momentos, o que lhe pesava no coração, e que jamais desapareceria por completo. Viviam o casamento, aparentemente como qualquer casal, e quando a noite chegava, subiam cada qual para o seu quarto e antes de entrar beijavam-se na face que estremecia dizendo: - Boa noite… dorme bem. E a resposta eram sempre a mesma… porém, agora havia um menino que chorava porque queria comer… estava molhado e necessitava que lhe mudassem a fralda, e, no quarto contíguo, o Sr. Félix não dormia com a preocupação. Ao mínimo sinal, levantava-se e ia aquecer o leite ao puto, mudava-lhe a fralda, e voltava para o seu quarto com os olhos vermelhos de felicidade.
Aquele filho, mesmo não sendo de sangue, foi um dom de Deus que chegou no momento certo, aliviando mentalmente ideias que magicavam naquela cabeça exausta de pensar na infelicidade pela perca da sua esposa que tanto amava, e num corpo que seguia ao Deus dará, sem rumo nem entusiasmo. Voltava a ter uma família que amava profundamente, naquela casa voltou a haver alegria independentemente das contrariedades, que mais se podia desejar?
O detetive que o Sr. Félix contratou para bisbilhotar nos podres de Carlos e envolventes, constituiu um “dossier” com todos os pormenores, e de tempos a tempos entregava-o ao médico que desta maneira estava ao corrente de tudo secretamente e sem interferências de qualquer espécie. Fernanda mortificava-se por não ter notícias dos seus pais, e apesar da rejeição, amava-os e gostaria tanto poder ser perdoada! Mas como poderia apresentar um neto bastardo a uns pais conservadores, que nunca mais tentaram ter notícias suas?
Foi mais uma vez o Sr. Félix quem teve uma ideia de génio para tentar reconciliar a família. Tinha já feito os seus 3 anos Fernando, era um miúdo saudável e irrequieto: Acompanhava o médico para todo o lado, a quem chamava pai, e já no infantário, notava-se nele uma inteligência fora do comum que surpreendia toda a gente.
- Hoje vamos todos para a tua terra para que Fernando conheça e se vá acostumando àquelas gentes, isto é, se concordares?
-Ummmm… Pode não ser uma boa ideia:
- Deixa comigo.
No dia seguinte Domingo; prepararam o necessário, meteram-se no automóvel, também já idoso mas com poucos km, e lá foram. Pediu informações sobre os locais frequentados pelos pais de Fernanda, e, foi no largo da Aldeia, à sombra de um carvalho francês, que os dois visitantes foram sentar-se também, ficando Fernanda a observar a uns metros dali. O Sr. Félix tinha a certeza que o miúdo iria ter com os aldeões e lhe faria perguntas. Dito e feito. O puto dirigiu-se ao casal e perguntou?-  Aqui não se joga à bola?
Estranharam a ousadia do puto mas responderam:
-Aqui joga-se tudo” petiz”…
- Quer vir dar uns pontapés comigo?
- Olha! Eu já não tenho idade…
- E a avó?
-Sou eu a avó? Qual avó’
- Só para fingir…
- Pois mas as avós não jogam à bola, pequeno…
- Então vamos jogar os três a coisa… já sei às cartas.
- Olha que o raio do puto não nos deixa! Porque não vais jogar com os teus pais?
- Com os pais já joguei muitas vezes agora tem de ser com os avós…
- Quais avós? Nós somos teus avós?
-Podiam ser né?
E o marido começou a rir às gargalhadas… estamos a levar um baile deste fedelho, essa é que é essa.
- Olhem jogamos seu eu ganhar são meus avós se perder é porque não tenho avós.
E o jogo começou. E o puto ganhou. E o casal perguntou:
- Que fazemos agora?
- Chamamos a minha mãe e o meu pai e beijamo-nos todos. Tá’
O Sr, Félix foi o primeiro a chegar. E o casal contou-lhe dizendo que tinha um filho com língua comprida e que os queria obrigar a serem seus avós…
O nosso filho é o fruto do amor e da amizade e está falando verdade. Vocês são mesmo seus avós. Já vi que conseguiu cativá-los e sinto-me imensamente feliz; e dizendo isto chamou por Fernanda. Foi uma cena emocional onde o ódio deixou lugar ao carinho e à felicidade que invadiu aquela família cujo destino estava escrito



segunda-feira, 24 de junho de 2019

FALECIMENTOS

FALECEU A SRA. LAURA, O SEU FUNERAL REALIZA-SE HOJE DIA 24-06-2019 PELAS 14H NA IGREJA DE MURÇÓS.
ESTA PÁGINA APRESENTA A TODA A FAMÍLIA OS SENTIDOS P~ESAMES
QUE A SUA ALMA DESCANSE EM PAZ

quinta-feira, 20 de junho de 2019

Dia do corpo de Deus em Murçós

 Assim foi o dia do corpo de Deus em Murçós, com muita devoção, energia no ornamento das ruas que estavam lindas, mantendo a tradição de sermos poucos mas bons. Agradecimentos aos que trabalharam, mais uma vez, para manter esta Aldeia viva, alegre, e devota, não se poupando a esforços e sacrifícios, que tenho a certeza serão compensados. Murçós é talvez a terra das uniões independentemente de diferendos políticos ou de outra espécie. Assim é Murçós                                                         



























sábado, 15 de junho de 2019

Dia de Santo António em Murçós

 Foi mais um dia memorável para a população de Murçós, e grande quantidade de pessoas, vindas de todo o país, e estrangeiro, para assistir à festa do Santo António na linda e asseada capelinha, toda de novinho calçada, cujos custos foram suportados com fundos vindos de mordomias anteriores do Divino Senhor, completados com fundos de financiamento da s Freguesias, com muitos esforços e dedicação da mordomia, a quem quero desde já deixar os meus elogiosos parabéns, porque não é fácil ser voluntariamente escravo daqueles que chegamos apenas para assistir à eucaristia, comer e beber, cantar e dançar apenas por uns miseráveis trocos que deixamos de oferta… mas, o convívio é lindo! Uma festa genuína, com todos os pormenores, empenho dedicação, alegria e boa disposição, onde toda a gente se sente bem, em paz com os outros e consigo mesmo. Há também a animação vinda de fora, (bombos) (aparelhagem) (conjunto) concertinas e desgarradas, mas sobretudo o grupo de dança formado por senhoras de todas as idades, de Murçós, que tão bem ensaiaram durante tanto tempo, e melhor executaram para o prazer das centenas de olhares curiosos e sorridentes, pois só prova que não há idades para se ser jovem de espirito… a festa prolonga-se pela noite dentro, com ceia e a tigela de caldo verde típica da nossa região… mas, mais uma 
 vez, todos estes preparativos requerem muita força anímica, e creio que o orgulho é enorme para aqueles que deram tudo para servir os conterrâneos, embora o cansaço seja superado pela vontade de fazer bem e que todos tenham um dia memorável, superando também as espectativas com a presença de tantas centenas de pessoas vindas exclusivamente para conviver junto de uma capelinha que se vai tornando cada vez mais grade na aderência e na singularidade onde se reúnem tantos seres humanos movidos pela mesma causa o bem-estar, a paz da alma, um balão de oxigénio, longe do stress, da poluição, do corredio, enfim… reviver tempos passados para alguns, vive-los profundamente para os mais novos, que de maneira nenhuma querem deixar que esta tão bela tradição se quebre.

 Fomos também visitados pelo presidente do Município, vice-presidente, e presidente da União de Freguesias, mas confesso não saber o que vieram fazer… porque os munícipes de Murçós não lhes devem qualquer agradecimento e muito menos empatia, porque o mandato está quase a acabar e nunca se dignaram passar por cá a perguntar se necessitávamos de alguma coisa… mas não quero entrar em politiquices, para mim considero três forasteiros, ignorados pela maioria do povo, e com razão, eles que se arranjem, que nós lá nos arranjaremos.

Agradecimentos sinceros para os membros da comissão de festas, e que o Santo António vele pela saúde de cada um e lhe pagues de maneira que nós não podemos.
VIVA MURÇÓS viva o S. António