segunda-feira, 7 de outubro de 2019

INAUGURAÇÃO


Realizou-se hoje, dia 7/10/2019 a inauguração da Associação Recreativa e Cultural de Murçós com a presença do Sr. Presidente do Município de Macedo de Cavaleiros, Benjamim Rodrigues, da vereadora da cultura e dos três representantes da União de freguesias, assim como dos representantes da Universidade Sénior de Macedo e as numerosas pessoas que participam nos eventos proporcionados por esta entidade. Houve cantares de hinos, o de Murçós e de Macedo, leitura de poemas, discursos pelas entidades citadas, cantares livres reivindicações para o asfalto da estrada que liga Murçós a Agrochão, prometendo o Sr. Presidente, reunir-se com o colega de Vinhais para pôr em prática o plano de execução, danças pelas famosas


bailarinas da terra lideradas pela professora Olga, colocação da placa na antiga escola, e no final um copioso lanche recheado de tudo onde o convívio superou as espectativas de afluência, sem esquecer o enorme bolo como se pode ver nas fotos. Mais uma vez Murçós foi palco de convivência, alegria, e preservação das tradicionais festas que fazem desta gente empenhada e unida, nestas e noutras situações, incomparável deem as voltas que derem…
Uma palavrinha de gratidão para estes guerreiros e guerreiras que benevolamente dedica parte do seu tempo para que reina a boa convivência, distração carinhosa que tanto nos ajuda dadas a circunstâncias. Um enorme: BRAVO




























sábado, 21 de setembro de 2019

Adeus sentido



O Sr. Carlos partiu; com oitenta e nove anos, deixou-nos, como todos os peregrinos de passagem neste Mundo… deixou mágoas, profunda dor nos familiares mais próximos, como explicitou um dos netos, ternamente, com os olhos banhados em lágrimas, na cerimónia fúnebre no dia 18/09/2019 na Igreja do seu batismo de Rebordainhos. Foi, para mim, um dos homens mais cratos, complacente, benigno, afável, hilariante, que eu conheci, juntamente com a Sra. Emília Rodrigo e o irmão António Rodrigo. Era eu um gaiato, e morava na casa de acolhimento, da família bondosa e generosa, Trindade, e ele geria com o Álvaro a taberna mesmo em frente. Partilhei visualmente as suas traquinices benignas, aquelas extravagâncias sem afinco, o gracejo do humor e da felicidade, nas matanças, roubando o rabo do porco, nas malhas atirando os “coanhos” para as cabeças das garinas, brilhantes de azeite virgem, na arranca da batata escondendo despercebido o pipo do vinho, nas castanhas simulando com fumo o lugar onde se podiam aquecer as mãos, mas sobretudo uma história que já narrei num dos meus textos, aquela com o Herminio e o tio “Leque”. Recordo ainda, e com tanta nostalgia, o seu filhote Carlitos, montado naquela bicicleta linda, talvez a primeira a chegar à terra, fazendo malabarismos que deixavam de boca aberta todos os putos que por lá se agrupavam para ver o espetáculo! E o Sr. Carlos pegava numa mão cheia de rebuçados, atirava-os ao ar dizendo: - Ao rebolo para quem apanhar mais… e nós, tais um bando de pintainhos, de boca aberta e olhos fincados nos rebuçados que caíam do céu, atirávamo-nos ao chão rastejando, rompendo a parca roupa que tínhamos para adoçar a boca; o tio Carlos sorria mas aquele sorriso não era malicioso mas sim de quem desejaria partilhar o Mundo com os mais carenciados…
Filho e marido exemplar, nunca rejeitou uma conversa amiga, qualquer que fosse a situação social. Sacrificou-se naquela grande casa, na enorme eira de tão lindas recordações, para que a sua esposa tivesse a dignidade, o carinho e o amor que tanto merecia… mas, as circunstancias, obrigaram-no a abandonar aquele lugar de magia, onde viu crescer os seus amados filhos, quando vinham passar férias com os avós no fecho das aulas de verão, Natal, e Páscoa.
Meu Deus, como o silêncio pesa!
Os Bons jamais morrem… descanse em paz tio Carlos


domingo, 15 de setembro de 2019

Confições intimas

 Confissões íntimas: por António Bras
São dias de solidão horripilantes que me torturam, me carregam, e obstruem todos os caminhos acessantes ao desempenho das funções metódicas, ao deleite, onde o elã sofre a metamorfose do asilado num lugar deserto, e os habitantes são meros espantalhos, hirtos, cuspindo o veneno ingurgitado na amamentação. São horas desesperantes, martirizantes, epidémicas, sugando o alimento dos poros, o oxigénio, até ao sufoco. São meses dilatados pelo tempo, imitando a tartaruga no seu percurso lento e receoso, como quem não anseia chegar. São anos mortos e frios, que me gelam o corpo e a mente atirando-me para uma nuvelina que pouco a pouco se vai tornando escuridão. Sou um dos milhares de sobreviventes cujos prazeres mundanos se 
 esvaneceram completamente; alimento-me por necessidade, ando por obrigação, durmo e sonho pelo domínio corporal. Será que vale mesmo a pena viver depois de ter vivido!? Lembro-me daquele casal que conduzi no meu táxi do “jardin des tuilleries à praça de la Nation em Paris”em 1977, tinha eu então 27 anos, e o ditoso casal por volta de 57. Surpreendentemente, o marido, parecia obcecado por conversas, tendencialmente perversas, segundo o meu primeiro julgamento. A esposa tentava retraí-lo, envergonhada e receosa. Porém o homem, foi direto ao assunto que tinha em mente, propondo-me que tivesse relações sexuais com a sua esposa, porque ele 
aqui vivi eu no 3º andar

era impotente e sofria tanto quanto a esposa com esta anomalia… - Deixa o rapaz, não vês que…
- Cala-te mulher… também ele se encontrará um dia na mesma situação que eu e…
Chegamos ao destino e perante a insistência do homem respondi:
Desculpe, mas foram-me transmitidos valores e princípios que não permitem aquiescer ao seu pedido, por respeito por si e sua esposa. Quanto ao ser ou não impotente quando tiver a sua idade, só a mim me diz respeito, podendo afirmar-lhe desde já, que jamais submeteria a minha esposa a tamanha vergonha…Hoje admiro a reação deste homem por não esconder a sua doença como tantos outros o fazem, seja por obrigações protocolares, vergonha, enfado perante os familiares e outros componentes que fazem com que guardem bem guardado o seu segredo, sacrificando os víveres, camuflando o seu verdadeiro ser ao preço mais elevado para não ferir suscetibilidades.
Paris foi, e será para sempre o meu cantinho mágico… o local onde nunca ninguém me apontou o dedo como sendo indesejado… jamais os meus atos extrovertidos foram julgados com afinco ou perversidade… trinta e dois anos vividos intensamente… 
circunvalado por presumíveis amizades, embalado pelo hipotético e sucinto amor-perfeito, fui homem fui criança, alienado e ao mesmo tempo circunspecto, reverabundo circunstancial, abrigo de desejos e vontades, simplesmente feliz! “- E tudo o vento levou”: acordo ancípite de sonhos em tange onde os eidos frontifícios da canção de Jorge Ferreira: ( um velinho caminhava) manifestam-se reiteradamente nos meus ouvidos moribundos, arrastando-me para a tentação irreverente de um coração sem lugar para o atos benevolentes, e um cérebro moribundo, banzo aguardando o desfecho final.

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Pela estrada


Esta, é uma das diversas cartas, enviadas para os Municípios de Macedo de Cavaleiros e Vinhais, por personalidades, solicitando o asfalto da estrada que separa Murçós de Agrochão. Não se dignaram responder. Permito-me incentivar todos os que dizem ter amor à terra a fazer o mesmo... não se fiquem por uma visita esporádica, nem pela expressão (eu sou de cá) qualquer que sejam as vossos ideologias politicas ou religiosas, e independentemente das formações académicas, lembrem-se que os seres humanos passam mas as boas obras permanecem para sempre. Este sempre foi um povo lutador.  reivindicar é um direito de cidadania. Obrigado

Exmo. Senhor
Presidente do Município
                De
Macedo de Cavaleiros
                                                                                                              Murçós, 05/08/2015
Início a minha solicitação com um pedido de desculpas não sendo costumeiro em “pedinchas), sobretudo tratando-se de uma coletividade de Munícipes, tal como eu, indignados e revoltados, sentindo-se também discriminados, e convém salientar que para cá das cegonhas também é concelho, independentemente das ideologias politicas ou religiosas; neste caso em particular, trata-se de um troço (estrada EM 537) de dimensão insignificante, atualmente em terra batida, desde há trinta anos que resido na freguesia de Murçós, onde pago os meus impostos, e aguardo mandato após mandato, que seja eleito um Presidente sensível, compreensivo e de bom senso, para mandar asfaltar esta meia dúzia de metros quadrados que separam Agrochão e Murçós que tanto jeito davam à população em geral nas suas deslocações evitando de percorrer dezenas de Km e tempo, pelo que seria feito em 7 minutos o que por outros percursos existentes despenderia 45m.
Impera neste caso o bom senso por parte dos presidentes dos Municípios de Macedo de Cavaleiros e Vinhais, e como é óbvio uns “trocos”, e caso não haja consenso, desafio-os qual será o primeiro a limar as arestas que provocam danos nos automóveis mais aventureiros, mas sobretudo por razões financeiras, em detrimento dos desgastes e os mais inconvenientes inerentes de um caminho para cabras.
Não sendo engenheiro, tenho conhecimento do tempo e dos gastos necessários para a dimensão desta obra, e, apesar das dificuldades pelas quais passam os Municípios, considero ser uma gota de água no oceano… Confio plenamente na boa vontade dos Exímios Presidentes, e aguardo otimista o desfecho feliz deste tão desejado e necessário projeto.
Nota: segue a mesma para os dois Municípios.
Sem mais assunto apresento os meus cumprimentos
                               __________________________________
                                         António Brás Pereira



domingo, 14 de julho de 2019

Caminhada em Murçós


Caminhada inesquecível. Muitos e bons. Mais um evento em Murçós que merece relevo. Obrigado aos mordomos 2019
Foi espetacular






























quinta-feira, 11 de julho de 2019

Destinos e destinados

 Destinos e destinados: 2ª parte por António Brás
De volta às suas casas, com um menino nos braços, as mulheres não sendo vítimas de poligamia, porque efetivamente só houve um casamento oficial, sentiram o peso das responsabilidades que por força das circunstâncias adviriam mais tarde ou mais cedo, e ao mesmo tempo o maravilhoso sentimento de serem mães, o carinho, afeto, de quem pare e lambe as crias tornadas seres vivos.
Imperou nestas circunstâncias a superintendência pessoal de um homem desobrigado, cuja conduta irresponsável, levou estas mulheres ao desalento, um incondicional machista, afetado psicologicamente pela superioridade de ser o moleiro mais carregado de moedas, o galo superior da capoeira, a malvadez encarnada num corpo hircoso, o baboso que não merece consideração.
Fernanda foi a primeira das três mulheres a dar à luz, um lindo menino, com quatro kg de peso e 52 cm de altura. Entretanto durante os nove meses de gravidez, houve grandes mudanças na sua vida pessoal. Casara com o Sr. Félix pelo civil, para que o seu filho à nascença fosse registado com apelido, e, porque se sentia só, embora naquela casa não lhe faltasse nada. Amava aquele homem, ao qual nunca deixou de chamar Sr., de uma maneira especial, carinhosamente, como se fosse seu pai, e respeitava-o dignamente com fervor. Foi também nesta ocasião que o Sr. Doutor meteu férias sem prazo, para ajudar a sua protegida no que fosse necessário. Saíam de manhãzinha passear, antes dos raios de sol terem aquela agressividade que poderia ser prejudicial ao bebé que começava a movimentar-se no ventre da mãe, visitavam frequentemente o jardim de Arca de Água onde reinava a paz de espirito, e os passarinhos chilreavam quando os progenitores lhes traziam os cibacos num vaivém desenfreado, fazendo meditar a rapariga no que teria sido a sua vida se não tivesse
 encontrado aquele anjo da guarda? E o Sr Félix não gostava de a ver com aquele ar apreensivo procurando de uma maneira ou de outra, fazê-la sorrir e esquecer por momentos, o que lhe pesava no coração, e que jamais desapareceria por completo. Viviam o casamento, aparentemente como qualquer casal, e quando a noite chegava, subiam cada qual para o seu quarto e antes de entrar beijavam-se na face que estremecia dizendo: - Boa noite… dorme bem. E a resposta eram sempre a mesma… porém, agora havia um menino que chorava porque queria comer… estava molhado e necessitava que lhe mudassem a fralda, e, no quarto contíguo, o Sr. Félix não dormia com a preocupação. Ao mínimo sinal, levantava-se e ia aquecer o leite ao puto, mudava-lhe a fralda, e voltava para o seu quarto com os olhos vermelhos de felicidade.
Aquele filho, mesmo não sendo de sangue, foi um dom de Deus que chegou no momento certo, aliviando mentalmente ideias que magicavam naquela cabeça exausta de pensar na infelicidade pela perca da sua esposa que tanto amava, e num corpo que seguia ao Deus dará, sem rumo nem entusiasmo. Voltava a ter uma família que amava profundamente, naquela casa voltou a haver alegria independentemente das contrariedades, que mais se podia desejar?
O detetive que o Sr. Félix contratou para bisbilhotar nos podres de Carlos e envolventes, constituiu um “dossier” com todos os pormenores, e de tempos a tempos entregava-o ao médico que desta maneira estava ao corrente de tudo secretamente e sem interferências de qualquer espécie. Fernanda mortificava-se por não ter notícias dos seus pais, e apesar da rejeição, amava-os e gostaria tanto poder ser perdoada! Mas como poderia apresentar um neto bastardo a uns pais conservadores, que nunca mais tentaram ter notícias suas?
Foi mais uma vez o Sr. Félix quem teve uma ideia de génio para tentar reconciliar a família. Tinha já feito os seus 3 anos Fernando, era um miúdo saudável e irrequieto: Acompanhava o médico para todo o lado, a quem chamava pai, e já no infantário, notava-se nele uma inteligência fora do comum que surpreendia toda a gente.
- Hoje vamos todos para a tua terra para que Fernando conheça e se vá acostumando àquelas gentes, isto é, se concordares?
-Ummmm… Pode não ser uma boa ideia:
- Deixa comigo.
No dia seguinte Domingo; prepararam o necessário, meteram-se no automóvel, também já idoso mas com poucos km, e lá foram. Pediu informações sobre os locais frequentados pelos pais de Fernanda, e, foi no largo da Aldeia, à sombra de um carvalho francês, que os dois visitantes foram sentar-se também, ficando Fernanda a observar a uns metros dali. O Sr. Félix tinha a certeza que o miúdo iria ter com os aldeões e lhe faria perguntas. Dito e feito. O puto dirigiu-se ao casal e perguntou?-  Aqui não se joga à bola?
Estranharam a ousadia do puto mas responderam:
-Aqui joga-se tudo” petiz”…
- Quer vir dar uns pontapés comigo?
- Olha! Eu já não tenho idade…
- E a avó?
-Sou eu a avó? Qual avó’
- Só para fingir…
- Pois mas as avós não jogam à bola, pequeno…
- Então vamos jogar os três a coisa… já sei às cartas.
- Olha que o raio do puto não nos deixa! Porque não vais jogar com os teus pais?
- Com os pais já joguei muitas vezes agora tem de ser com os avós…
- Quais avós? Nós somos teus avós?
-Podiam ser né?
E o marido começou a rir às gargalhadas… estamos a levar um baile deste fedelho, essa é que é essa.
- Olhem jogamos seu eu ganhar são meus avós se perder é porque não tenho avós.
E o jogo começou. E o puto ganhou. E o casal perguntou:
- Que fazemos agora?
- Chamamos a minha mãe e o meu pai e beijamo-nos todos. Tá’
O Sr, Félix foi o primeiro a chegar. E o casal contou-lhe dizendo que tinha um filho com língua comprida e que os queria obrigar a serem seus avós…
O nosso filho é o fruto do amor e da amizade e está falando verdade. Vocês são mesmo seus avós. Já vi que conseguiu cativá-los e sinto-me imensamente feliz; e dizendo isto chamou por Fernanda. Foi uma cena emocional onde o ódio deixou lugar ao carinho e à felicidade que invadiu aquela família cujo destino estava escrito