domingo, 4 de fevereiro de 2018

As matanças 2018


Um bom cevado é a fartura de uma casa de lavrador e não como representado na simbologia como. “ Ignorância, gula, luxúria, egoísmo, entre outros. Negativismo. Para mim, as matanças dos porcos engordados com alimentos naturais e saudáveis, prevalecem nas boas recordações de dias festivos de convívio, desde o nascer do sol até altas horas da noite… reunia-se a família e os considerados amigos para concretizar os esforços protagonizados pelos esforços de tantos dias na alimentação dos ditosos animais, logo pela manhã para “ matar o bicho”, com o cheiro do café ou cacau a entrar pelas narinas, logo na aproximação da casa, onde os convidados previamente, se dirigiam, à cozinha, pois era nesta peça a 1ª refeição copiosa, encostados à grande lareira onde crepitavam suavemente os enormes potes, e se aqueciam as mãos, arremangavam as mangas, e os homens se ocupavam da matança, preparando os porcos. Eram barbaramente mortos, mas sempre com o sentimento de alimento necessário, uma das cozinheiras aparava o sangue para um tacho com alho picado e vinagre mexendo, mexendo, para o não deixar coagular, o qual viria a servir para os chouriços pretos, embutidos com massa de pão alguns rojões, sangue mel ou açúcar, e até uns carões de noz. Por cima deitava-se palha a arder para lhe queimar os pelos e aquela pele mais leve, lavados e esfregados com pedras e outros utensílios próprios. De seguida abertos, fazendo um corte em redor do ventre de maneira a não ofender as tripas, tal como uma operação delicada e os peritos, exerciam com maestria, cortando primeiro a courela, e depois a barbada de onde se extraiam os delicados rojões que sabiam que nem carões de noz. As tripas eram entregues às mulheres que as lavavam para os enchidos, o fígado fresquinho comia-se parcialmente com batatas cosidas, refogadinho ao almoço. Os porcos depois de preparados eram dependurados para ficarem hirtos com o frio e depois desfaze-los com as despectivas peças apartadas metodicamente, lombo para os salpicões e chouriças, presuntos e espáduas para curar no sal, courela e espinha dorsal para as alheiras assim como a cabeça ficando apenas as orelhas e o focinho no sal para mais tarde comer com as patas e umas ricas casulas à transmontana, Pisava. Se noutros tempos o unto em bolas para a sopa e outras utilização. Uma torradinha com a banha do unto era deliciosa. Também o toucinho se aproveitava para fritar na sertã ou cosido, havia também os rojões chamados do redenho ou folhelho, que muita gente apreciava particularmente. Finalmente a adobe para os enchidos que veem nas imagens, durante 4/5 dias em vinho do melhor da colheita, com alho sal louro e laranjas cortadas às rodelas. Encher requer sabedoria e esforço embora as mulheres nunca se queixem. Também as alheiras ficam dispendiosas e muito cansaço, não esquecendo as carnes e temperos. Uma boa alheira transmontana é referência, digo bem alheira, porque as farinheiras não servem aos agricultores de Trás-os-Montes.
ESTE FUMEIRO PERTENCE À TIA Maria Alexandrina enchido pela juventude que não deixa perder as tradições


segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018


Os passeios diários, sobretudo com um sol radiante e quentinho, fazem, hoje, parte do nosso dia-a-dia para desentorpecer as pernas espairecer as ideias e combater o stress ou talvez a solidão… uma terapia agradável e benéfica pois o olhar alonga-se penetrante por estas paisagens duma magnificência incomparável. O arvoredo denso e de variadas espécies começa a desbrotar no silêncio da paz e no desejo de ser o primeiro a mostrar cores e perfumes, para além do oxigénio que fortifica o organismo dos seres vivos. As urzes, ervedeiros, (medronheiros) acácias-mimosas, estendem-se ao longo das serras banhadas por raios luminosos para encantamento dos amantes da natureza.
Hoje a visita alongou-se até às pontes, lugar mítico de aventuras e desaventuras… de uma beleza impar. Aqui haveria centenas de histórias para contar, em tempos do Sr. moleiro, apelidado carinhosamente de borracho. Hoje encontra-se tudo prostrado num silencio
 absoluto, embora alguns dos seus familiares, pela aparência das janelas abertas, venham de tempos a tempos visitar a casa remodelada a granito… também o velho moinho tem uma aparência de quem veste de lavado, guardando a sua estrutura primária. O grande portão estava desfechado e eu entrei para fazer umas fotos, ficando um tanto quanto desiludido, porque do moinho não vi nada.
Por debaixo das duas pontes a água corre já abundante, mas silenciosa, esgueirando-se através da vegetação esplendorosa dos choupos crescentes, talvez com vontade de atingir as nuvens ou o céu de um azul vivo raro no mês de Janeiro. Talvez as trutas tenham subido as águas geladas apesar de poucas? Os passarinhos escondem-se e não se ouvem piar, porque neste tempo, a alimentação para esses lados, escassa, e a estrada continua de terra batida o
 que é lamentável quando os políticos prometem para ocupar lugares e depois esquecem tão depressa como o disseram…  para duas câmaras este 6 km era uma gota de água, se houvesse boa vontade? Porém, “como se costuma dizer quem não tem cão caça com gato “para os meus passeios serve muito bem.
Do lado de lá, na sua capelinha branquinha, a Senhora do Areal observa a lindas paisagens e os poucos passantes, de carro ou moto porque a pés, dizem alguns, “ só os malucos”.
De volta a casa os ânimos foram-se desmoronando com o cansaço que nos aviva que já tivemos vinte anos; mas, sem presas, e com tantas belezas envolventes, o caminho voltaremos a fazer.









terça-feira, 2 de janeiro de 2018

A viagem de comboio

 Um dia de solidão, desconsolo, e lamentavelmente nublado, em que a soma de: 2+2 nunca dá 4, estendi-me junto da lareira que ardia alegremente sem se sociar dos problemas mundanos, e, no silencio que perdurava, li um livro mentalmente, que comparava a vida a uma viagem de comboio. Uma comparação extremamente interessante, quando bem interpretada. Interessante, porque a nossa vida é como uma viagem de comboio, cheia de embarques e desembarques, de pequenos incidentes pelo caminho, de surpresas agradáveis com alguns embarques e de tristezas com os desembarques. 
Quando nascemos ao embarcarmos nesse comboio, encontramos duas pessoas que, acreditamos que farão connosco a viagem até o fim: Nossos pais. Não é verdade. Infelizmente em alguma estação, eles desembarcam, deixando-nos órfãos de seus carinhos, proteção, amor e afeto. Mas isso não impede que durante a viagem, embarquem outras pessoas interessantes que virão ser especiais pra nós: nossos irmãos, amigos e amores. 

Muitas pessoas tomam esse comboio para um mero passeio. Outras fazem a viagem experimentando somente tristezas. E no comboio há, também, outras que passam de vagão em vagão, prontas para ajudar quem precisa. Curioso é considerar que alguns passageiros que nos são tão caros acomodam-se em vagões diferentes do nosso… Isso nos obriga a fazer essa viagem separados deles. Mas, não nos impede de, com grande dificuldade, atravessarmos o nosso vagão e chegar até eles. Difícil é
 aceitarmos que não podemos sentar-nos ao lado deles, pois outra pessoa ocupa esse lugar. Essa viagem é assim… cheia de atropelos, sonhos, fantasias, esperas, embarques e desembarques. Sabemos que esse comboio jamais voltará. 
Façamos essa viagem da melhor maneira possível, tentando manter um bom relacionamento com todos, procurando em cada um o que tem de melhor, lembrando sempre que, em algum momento do trajeto poderão fraquejar, e provavelmente, precisamos entender. Nós mesmos fraquejamos algumas vezes. E, certamente, alguém nos entenderá. O grande mistério é não sabermos em que estação desceremos. E fico pensar… quando eu descer desse comboio sentirei saudades? Sim. 
Deixar os meus filhos viajar sozinhos será muito triste? Separar-me dos amigos que durante esta grande viagem fiz… do amor da minha vida, será doloroso? Mas, agarro-me à esperança de que em algum momento, estarei na estação principal, e terei a emoção de vê-los chegar com a sua bagagem, que não tinham quando embarcaram. 
E… o que me deixará feliz, é saber que de alguma forma, eu colaborei para que essa bagagem tenha crescido tornando-se valiosa. Neste preciso momento, o comboio diminuirá a velocidade para que embarquem e desembarquem pessoas. Minha perspetival aumenta, à medida que o comboio vai diminuindo a velocidade.. Quem entrará? Quem sairá? 
Eu gostaria que você pensasse no desembarque do comboio, não só como a representação da morte, mas, também, como o terminal de uma história, de algo que duas ou mais pessoas construíram e que, por motivo ínfimo deixaram desmoronar. Fico feliz por saber que certas pessoas como nós, têm a capacidade de reconstruir para recomeçar. Isso é sinal de garra e de luta, é saber viver, é tirar o melhor de "todos os passageiros".

sábado, 23 de dezembro de 2017

FELIZ NATAL

 Os aministradores deste blog desejam a todos os
visitantes um Santo e Feliz Natal; em paz amor e
fraternidade. Em família ou com amigos não deixem que a tradição se perca. Em Murçós a missa do golo realizar-se-à no Domingo dia 24 pelas 22h na Igraja Mtriz.

Caravana



Esta é a caravana dos descobrimentos de belas imagens e videos apoiada pelo Município de Macedo de Cavaleiros por iniciativa  do Senhor Batista de Barros, hoje estacionada no largo de Murçós para depois fazerem a exploração do que possa ser histórico e beleza do território. Agradecimentos por me facultar esta foto... mais tarde veremos o viseo.

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

O Reino maravilhoso

 O reino Maravilhoso
É assim que começa esta história; com um título que pertence a outras histórias, mas, tão semelhante às ocorrências reais nesta pacata e tão acolhedora Aldeia que é Murçós em tempos de recolta da azeitona.
Formam-se grupos, uns maiores outros mais pequenos, segundo as possibilidades de cada um, e logo pela manhã, ainda antes do nascer do sol, começam a ouvir-se alaridos e o roncar dos motores, dos atractores, carros carrinhas e mesmo o trotar de bestas já raras neste lugar. O nosso, intitulei-o, não dos sete, porque por vezes eramos mais, mas dos nove anões, tendo como branca de neve a geada que cobre campos, caminhos e arvoredo, com um manto branquinho e espesso derivado das baixas temperaturas durante a noite, (-3 graus) e do que por cá lhe chamam (senceno) nevoeiro. Encapuchados dos pés à cabeça, acomodados dentro de carrinhas de dois lugares, ou em cima dos reboques, lá íamos a tiritar de frio, até ao vale-grande, bicho ou jeropia, como  Schtroumfs encurralados por caminhos agrestes que o mato 
bravo vai tentando invadir. Todos os dias, à mesma hora, lá ia o casal de mais de noventa anos, agarrados à caroça puxada por um macho, dando exemplo aos menos corajosos que se ficam acomodados no conforto das suas casas, stressando, e acarretando depressões nervosas. Posso eu garantir ser uma das melhores terapias para a cura de males imaginários, de sensações de velhice e outros fatores que nos minam pouco a pouco, se nos deixarmos levar pela autodestruição moral ou física.
Chegados ao local de trabalho, retiravam-se os farrapos que pudessem impedir o desempenho das funções previamente definidos, uns com as máquinas, outros com varas e finalmente os da “lonas”. Havia entreajuda sempre que necessário, e como lobos lançávamo-nos ao derrube das oliveiras, como se diz lá para Ferreira, com coragem boa disposição, e sempre em mente o 
mais importante que era trazer para casa o maior número de kilos de azeitona para orgulho do patrão mais novo a quem vamos chamar REZINGÃO. Logo que os raios luminosos e quentes de sol apareciam, traziam com eles a boa disposição. Falava-se de tudo quanto pudesse trazer bom ambiente, troçávamos com carinho daquele que escorregava e caía naquele terreno acidentado com proporções de elevação fora do comum, do que escorregava nas lonas que pareciam lugares de patinagem, daquele que deixava escapar uma frase mais infeliz, do que se passava nos outros ranchos, recolhido como um jornal no café do Reis à noite, cantava o FELIZ oliveiras castanheiros, José Cid em inglês, e todos soltavam uma gargalhado que superava o ruido das duas máquinas, e o SABICHÂO deixava-se cair de riso, mas, logo o REZINGÂO se fazia 
ouvir chamando à ordem o pessoal; é talvez o melhor derrubador da terra com a máquina e uns bíceps que fariam inveja ao Rombo. Eu, único COTA sentia-me bem no meio da juventude, que vinte anos atrás jogaram futebol comigo, tendo tido sempre um espirito aberto na evolução dos tempos, dos meios,  e até dos juízos, mas tive os meus puxões de orelhas por parte do REZINGÂO que tinha olhos em toda a parte… Também a MIUDINHA lançava de vez em quando farpas que desapareciam de imediato porque quem tem bom coração tem tudo.
Chegado o meio dia, o SABICHÂO ia acender o fogo para os assados, e já no olival começava a cheirar a adobe do lombo que assava na grande grelha, assim como as chouriças e aleiras, que 
dias antes foram enchidas para este efeito. ATCHIM sentia o fumo entrar-lhe pelas narinas e dava uma olhadela ao relógio, porque também já a barriga dava horas. Finalmente ouve-se a ordem do rancho, e todos nos dirigimos e colocando-nos em volta da lareira, onde assavam alheiras chouriças e costela, mas sobretudo dos assados, salpicão caseiro, queijo, marmelada e frutas para sobremesa, não esquecendo o iogurte que a tia maria me mandava por saber das minhas restrições. Vinha também sempre café numa termos, e o bagaço como complemento. O ENVERGONHADO libertava-se e soltava uma piada para aqui, enquanto mastigava lentamente encostado a um canto.
Era realmente o melhor momento do dia, o da merenda, e o reino maravilhoso com paisagens fabulosas, abria-nos o coração para que os nossos olhos se deliciassem com a pureza e magnificência da natureza antes de voltar ao trabalho. Por terras de Murçós, no reino maravilhoso, viam-se finalmente pessoas por todos os lados, carros e animais. 

. ATCHIM sentia o fumo entrar-lhe pelas narinas e dava uma olhadela ao relógio, porque também já a barriga dava horas. Finalmente ouve-se a ordem do rancho, e todos nos dirigimos e colocando-nos em volta da lareira, onde assavam alheiras chouriças e costela, mas sobretudo dos assados, salpicão caseiro, queijo, marmelada e frutas para sobremesa, não esquecendo o iogurte que a tia maria me mandava por saber das minhas restrições. Vinha também sempre café numa termos, e o bagaço como complemento. O ENVERGONHADO libertava-se e soltava uma piada para aqui, enquanto mastigava lentamente encostado a um canto.
Era realmente o melhor momento do dia, o da merenda, e o reino maravilhoso com paisagens fabulosas, abria-nos o coração para que os nossos olhos se deliciassem com a pureza e magnificência da natureza antes de voltar ao trabalho. Por terras de Murçós, no reino maravilhoso, viam-se finalmente pessoas por todos os lados, carros e animais, era 
, era sorridentes para dar amor e tudo quanto a casa produz. Herança daquele maravilhoso homem, chamado tão cedo pela injustiça do destino, mas que continuamos a lembrar carinhosamente, publicitando os seu grandes dons do saber viver com humildade.
Foi o dia da “burra”, o fim da recolta que coincidiu com o aniversário dos gémeos adultos. A mesa encheu-se em volta de um festim preparado pelas mulheres da casa, com petiscos especiais que o Vítor Fernandes, como sempre traz; desta vez javali e coelhos do monte, pão- de-ló bolo rei e vinho do bom, e no calor deste exemplar lar, comeu-se e riu-se durante horas, num convívio fraternal até que o bolo chegou à mesa (com duas velas e um fachuco) e as rolhas da champanhe saltaram, a luz apagou-se, e em coro cantamos os parabéns aos aniversariantes. Este ano não ouve fogo de artificio, falha do habitual pirotécnico, por rasões que poderiam levantar polémicas, porque ele nunca falha! É um amante apaixonado da terra, considerado e respeitado pelo seu sentido de humor, carácter “coule” tal como o pai Poulo
 meu grande amigo. No seu coração não existe ganancia. Fomos varejar o seu olival; aquele que ele chama o melhor do mundo, e surpreendentemente, não se queixou de nada mesmo parecendo que tinha menos azeitona que os outros anos. Comemos o grande pão- de-ló que trouxe, carregamos as sacas e levou-as ao lagar tradicional de Ferreira. O rendimento compensou os kilos a menos, e os seus olhos luziam de felicidade, pelo liquido cor de ouro que faria feliz também mulher e filhas. Não por necessidade mas por amor à camisola. Se os homens do mundo fossem todos com tu, caro amigo não haveria tantas injustiças nem guerras na terra. Obrigado pelos bons momentos que me vais proporcionando, e pela amizade sincera um grande abraço 
Por António Brás Pereira texto e imagens