quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

PARA MATAR SAUDADES

O inverno rude e frio ainda não apareceu por estas bandas. Pelo contrário, temos tido um sol Primaveril, com seus raios luminosos e quentes. As árvores começam o florescimento, os abrunheiros, temperões, com sua linda flor branca cobrindo toda a rama tal a oliveira carizmática, coberta de neve. Neste lugar, continuam a juntar-se numerosas pessoas, enquanto aguardam os três toques do sino afinado, como sinal de que está para breve a Eucaristia. No final, é tambem aqui que são rematadas ofertas pelas devoções dos variados Santos. Leitões, coelhos, salpicões, etc. As conversas, são várias e diversificadas... fala-se de tudo e de nada, apenas para conviver, porque ninguém gosta fechar-se na casa! A população diminui de dia para dia, e os citadinos vem cada vez mais raramente... contudo, há sempre aquela animação distinta proporcionada pelos contadores de histórias do passado, as quais continuam a fazer rir, ainda que as tenhamos houvido desenas de vezes. Da Igreja para o Outão, as pessoas guardam os costumes dentro dos seus corações, fingindo uma felicidade já afectada, mas tolerada com resignação. Abraço

domingo, 15 de janeiro de 2012

GUERRA DE PODERES

Desencadeou-se em Murçós uma guerra desenfreada e lamentável na corrida à liderança de cargos, cujos tachos pouco ou nada tem para “rapar”, mas, os “poleiros” tão cobiçados, com persistência, cinismo, hipocrisia, “não olhando a meios para atingir os fins” podem pôr em causa, a dignidade dos habitantes vulneráveis e carentes de valências indispensáveis à desertificação de uns, e à dignidade dos mais idosos cujos votos e desejos se resumem a um final de vida em paz e sossego…
Tudo começou, com a luta político-partidária, de há dois anos, dividindo em fragmentos pioneiros, a população, meio ignorante, e um tanto convicta pelas promessas, ameaças de represálias, e outras técnicas usadas em detrimento da verdade.
A transparência dos actos e factos, transformou-se numa ditadura, herdada de tempos ainda presentes nas memórias avivadas das décadas 80, cujos usos e frutos reverteram em favor dos opressores sem escrúpulos nem remorsos.
As entidades responsáveis pelos cargos referentes às instituições, temem ou fogem às responsabilidades, manipuladas pela influente má fé contraditória. Pendente de um pagamento lisonjeiro, empréstimo solicitado e recusado, após reunião com uma mandona, dominadora e invejosa, está agora a realização de um projecto comparticipado a 65% que engloba somas que rondam os 650.000 euros. Lamentável o Presidente e um dos membros desta instituição,”clandestina” cederem a pressões e chantagens. Um lar, não é prioritário numa freguesia onde não existem nenhuns nas proximidades a menos de 20Km2… pelo contrário, são necessárias casas mortuárias, e outros trabalhos secundários, ignorando  a criação de 16 postos de trabalho, para alem das necessidades urgentes dos idosos carentes.
A comunicação social, que anda sempre a meter bico onde não é chamada, colabora com estes casos “tabut”, põe só interessarem os escândalos mundanos que acarretem compensações gratificantes. È revoltante haver pessoas assim neste mundo da trafulhice.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Falecimentos





F
                                                     Faleceu O Sr. MANUEL SALSAS
O blog apresenta as condolências aos familiares, que a sua alma descanse em paz...
Funeral hoje, Segunda Feira dia 9 de Janeiro 2012 às 15h locais

Viajando do dia para a noite

 MURÇÓS:
preparava-se para adormecer, submerso pela nebolisidade, densa, nivelada com a profundade da natureza, enquanto, já longinquamente, o Sol, com seus raios dourados, se despedia, deixando o lugar à noite húmida e gelada, triste e penosa, noticiada com a partida de um filho da terra... 
 ... tanta beleza observada do alto da serra, com o coração apertado pelo sentimento de despedida, fez rodar, pela face abaixo, uma lágrima solitária, perdida na extremidade da boca, onde se refugiava cobardemente a lingua, por não ter mais que dizer, para àlém de um Adeus...
 As raizes que a austeridade das recordações nos obriga ao renascimento, propagando factos e ditos, felizes ou infelizes, dimensionados, desmedidos, inoportunos, desmerecidos, mas, sempre ditados pela ordem divina, a qual no dia certo, na hora menos esperada, nos indica o caminho eterno...
 ... Também a Lua, cheia de brancura e encanto, apareceu discretamente, para não perturbar os que adormeceram na paz de Deus! A Natureza vestiu-se de branco, pureza dos anjos, dos justos, daqueles que deixam transparecer os verdadeiros sentimentos, sejam eles dolorosos ou felizes!...
 Aqui jaz a minha homenagem, em nome de um povo, que sofre, chora em silencio, a partida de um dos nossos, e que nos seus humildes propósitos, levanta os olhos para o firmamento, como´`a procura do caminho, que um dia nos conduzirá a todos.
Pêsames sinceros...

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

CANTAR DOS REIS NO CONCELHO DE MACEDO DE CAVALEIROS

No mensageiro de Bragança
Tradição de Cantar os Reis mantém-se viva Por: Ana Preto / Secção: O Olhar / 14 Janeiro 2011 ·  ImprimirEnviar a um amigo Apesar da televisão, de cada um viver mais “fechado no seu canto”, ainda há quem abra as portas às boas festas e aos desejos de um bom ano
Cantar os Reis, evocando a adoração ao Menino Jesus, é uma tradição antiga, em todo o país, que ainda se mantém, assumindo novas formas. No Nordeste Transmontano era frequente, em muitas localidades, a partir do dia 26 até ao final do mês de Janeiro (razão pela qual também se chama a este cantar “As Janeiras”), constituírem-se grupos improvisados de cantadores que, à noite, percorriam aldeias, cidades e vilas, de porta em porta, cantado aos senhores de cada casa, desejando saúde, sorte ou prosperidade, para o ano que se inicia, e abençoando o nascimento do Menino Jesus. Actualmente, esta tradição, de um modo mais espontâneo, só se mantém em certos lugares. Encerrados numa nova forma de vivência social, nem sempre os senhores das casas estão dispostos a abrir as portas e a dar algo em troca de uma canção. Antes deste tempo, normalmente o que se dava aos cantadores era uma peça de fumeiro. Segundo José Jecas, de Arcas, concelho de Macedo de Cavaleiros, nesta aldeia essa tradição não se perdeu. Ainda hoje cantam porta a porta e recebem, em troca da canção de boas festas, linguiças e alheiras. “Depois vamos para a patuscada. É espectacular, toda a gente adere, nem se deitam à espera que nós passemos”, referiu, acrescentando que, nesta aldeia, há ainda “muita rapaziada nova”. Contudo, grande parte destas tradições são mantidas através de iniciativas, muitas vezes organizadas por entidades externas, como as Câmaras Municipais. Foi isso que aconteceu, no passado dia nove em Macedo de Cavaleiros e Alfândega da Fé e, na noite anterior, em Miranda do Douro. Cada um destes municípios promoveu um encontro de cantadores de Reis, nos quais participaram diversos grupos, alguns constituídos exclusivamente para o efeito, outros que vêm desenvolvendo actividades culturais diversificadas, ao longo do ano, sempre em prol da cultura tradicional. Segundo Sílvia Garcia, vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Macedo de Cavaleiros, desde que o município lançou esta iniciativa, há nove anos, tem-se notado um aumento da quantidade e da qualidade dos grupos presentes. A iniciativa é importante pelo convívio que proporciona, e também porque contribuiu para “manter uma tradição que ainda está viva no nosso concelho”, sublinhou a vereadora. António Baptista, presidente do Grupo de cantares de Castelãos, contou-nos que, naquela aldeia, a tradição de cantar os Reis estava praticamente perdida. A tradição foi retomada agora, a nível de grupo, que estava inactivo há cerca de dois anos e meio e foi agora reactivado, precisamente por causa desta iniciativa. “Estava bastante perdia, as pessoas já estavam desabituadas”. Contudo, agora “têm encarado isto com muita alegria, porque também como é uma aldeia desertificada, como todas as outras, já há pouca gente e quando há qualquer iniciativa destas as pessoas ficam satisfeitas e acompanham o grupo para todo o lado”, afirmou. É precisamente o convívio que havia, e não haverá, talvez, aquilo que Maria Teresa Espadanedo, de Morais, mais recorda com saudade. Contou-nos que, quando era pequena, ia com a mãe e a irmã, cantar os Reis e não era “por dinheiro, nem tão pouco chouriços”. Iam cantar aos amigos que, naqueles tempos, eram muitos. “Naquela altura, quase não havia inimigos, sabe porquê? Porque vivíamos todos ao mesmo nível, não havia pessoas mais ricas do que as outras, era um nível igual e como era igual, e as pessoas eram todas simples, ninguém andava a olhar de lado uns para os outros”. Também, o ambiente social, o facto de não existirem distracções vindas de fora da comunidade, proporcionava esse convívio, hoje já pouco habitual. “Havia mais alegria. Não havia televisões... Eu lembro-me de não haver mesmo electricidade, e rádios não eram todos que os tinham! Então era bom passar estes bocados assim. Havia mais convívio. Não digo que não havia gente má, mas era em menos quantidade. Eu tenho saudades daquele tempo. Hoje andamos lá metidos no cantinho sempre. Mal nos vêem na rua, não há tempo para nada e eu digo: não é normal esta vida e não é normal...!”. Para manter talvez a vida, dentro de âmbitos mais normais, na sua aldeia, existe a Associação dos Amigos e Melhoramentos de Morais. Foi com este grupo que Maria Teresa esteve no Centro Cultural de Macedo de Cavaleiros, a cantar os Reis. Segundo Alzira da Conceição, em Morais ainda existe esta tradição de cantar os Reis porta a porta, mantida sobretudo pelos mordomos da grande Festa anual, que vão angariar fundos, desta maneira, mas “já não é como antes”. Esse grupo de Morais apresentou, no final, um dos cantares mais diferentes, a “Canção da Manta”, chamemos-lhes assim, cuja letra Maria Teresa aprendeu com a sua avó, há muitos anos. Uma manta é segurada nas quatro pontas, sobe e desce, conforme a letra. Quando sobe alguém passa por baixo.
Também em Murçós se mantem esta tradição... embora, como é referido no texto, o "reizinho" ou chouriço, já não satisfaça os cantadores, que preferem uma moedinha, e uns licores para afinar a garganta. Geralmente esta prática, incumbe aos jovens, mas, acontece que também grupos formados por adultos, percorram a Aldeia, mais com o intuíto de levar as Boas-Festas até junto daqueles considerados e respeitados, que própriamente para angariar fundos ou géneros.
QUE OS SANTOS REIS NOS TRAGAM A TODOS HARMONÍA E PAZ

domingo, 1 de janeiro de 2012

ANO 2012


Murçós by night
por
António Brás pereira

O ano 2011 ia-se despedindo… indeciso, com a sensação de não ter concretizado os desejos de todos, mas, sem remorsos de consciência… apreensivo talvez! O seu sucessor não vai ter facilidades nas tarefas que os hábitos foram tornando, pouco a pouco, numa rotina burguesa… o tempo o dirá, vivamos os bons momentos da nossa existência, harmoniosamente, com alegria e boa disposição… para tristezas há sempre tempo! Foi assim a passagem de ano em Murçós. A iluminação que circundava as ruas adjacentes do salão de festas, vigiado de perto pelo olho sagrado da Igreja Matriz, cintilava, na escuridão da noite, clima ameno e aprazível, ornamentado com a proeza do firmamento, onde orgulhosamente as estrelas participavam da felicidade festiva. Também o som da aparelhagem, proveniente do local, onde uns dançavam, enquanto outros, nas proximidades do bar, alegremente propagavam frases inauditas, insignificantes, chegava aos ouvidos dos mais turbulentos, ansiosos pela paragem do tempo, nesta fase, esquecida dos diferendos e divergências. A juventude não protagoniza os antecedentes, vaidosos, cínicos, circunstanciais… a juventude é a vida! Inconsciência? Que cada um se julgue, pela análise através dos tempos…
Formou-se um grupo de amigos. Os cinco “mosqueteiros” preparavam-se para o bater da meia noite… um deles desistiu, só ele sabe as razões, fomos então quatro, com diferenças de idades, mas, o mesmo objectivo, levar às casas que visitamos, os votos prósperos para o ano 2012. Encontramos, nas visitas, para além de receptividade carinhosa, mesas recheadas com guloseimas, regadas com o “champanhe” francês, fresquinho às bolinhas escorregadias pelo músculo gustativo. Eram 3h da manhã quando nos separamos, eu tinha finalmente entrado no novo ano, a juventude ainda tinha muita festa pela frente… a ambição franqueza simplíssima, doados aos cidadãos com bons princípios, volta ao caminho da verdade seguindo a direcção da estrela “boieira”. Viva 2012.