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segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Atentado em Paris

A noite foi sangrenta… os bárbaros sugadores de sangue humano voltaram ao lugar do crime, onde alguns deles nasceram, para matar, matar; tal como predadores selvagens para mostrar ao mundo a capacidade ingénua de garotos sem cérebro, que até nem foram criados em guetos, nem têm ideologias religiosas ou politicas, são uns pobres mafarricos, que depois de terem provado drogas, encharcado no álcool, jogar ao “ caïd” do bairro como pura exibição, procuram sensações aterrorizantes com armas, que superiores lhe colocam nas mãos de putos vulneráveis ordenando armadilharem-se morrendo como mártires por uma causa sem fundamento justificável… ser Muçulmano islão, com caracter jihadista não implica degolar a sangue frio exibindo as vitimas como ignóbil chantagem, tratando-se de inocentes, isentos, seres humanos, chorados pelos seus que ficam cá mas marcados para sempre. Como não poderá haver ódio, raiva, sede de vingança?
Desta vez escolheram a cidade que tanto prezo, lugares conhecidos onde na minha juventude nos encontrávamos Sábados pela noite para conviver, dançar, pois nesse tempo, era ainda, o Bataclan
, um dancing onde atuavam ao vivo bandas, e centenas de jovens de origem Espanhola e Portuguesa vinham divertir-se, Boulevard Voltaire, junto da praça da Republica Francesa, que nos acolheu a todos de braços abertos, ainda que num miscigenado sem racismo nem xenofobia. Como podem os filhos de uma mãe que os embalou, acariciou, nutriu, apontar as armas para os netos da mesma, e, a sangue frio, disparar com atroz ferocidade, sem pena nem remorsos?

Mesmo não possuindo um coração capaz de lhes proporcionar outro sentimento que não fosse o do ódio, e tendo a alma contaminada com a raiva, o espirito moribundo com a lavagem de cérebro, tiveram a cobardia de vê-los cair como “pantins” aterrorizados, alguns por certo suplicando que não os matassem… Partiu-se-me o coração há meia-noite do dia 13 de Novembro de 2015, ao receber as primeiras noticias do drama ocorrido num lugar de paz alegria e divertimento que serve hoje como acolhimento aos fãs de revistas e outros espetáculos. Vivi profundamente o luto deste horrível atentado, onde mais de 130 perderam a vida, e milhares de outras as chorarão para sempre… como gostaria poder depositar uma rosa branca, símbolo da paz, na campa de cada um…tal como a solidariedade demonstrada em todo o mundo, onde as cores bleu blanc rouge estiveram em realce sobre monumentos representativos de la liberté égalité fraternité três palavras que simbolizam um povo com o qual aprendi tanto, e que tantas vezes li na faxada da Assemblée Nationale, do lado de lá du pont de la Concorde, rive gauche.
A tour Eiffel apagou-se, para em silêncio chorar os seus mortos e feridos…l’Arc du Triomphe comunicou às treze avenidas que o rodeiam a indignação de quem abriga o tumulo do soldado desconhecido… Nôtre Dame isolada na Ille de Saint Louis, perdoa e através do pai de uma das vítimas responde aos atrozes malfeitors: - Vous naurez pas ma haine… e no Louvre onde as obras de arte convidam à visita de milhares apaixonados, soltou da pirâmide a cólera que levou até à Síria a mensagem de guerra, que por certo fará mais vitimas inocentes. Mas… como prender os culpados se como os ratos se escondem ao abrigo das suas barbaridades?
Também le Petit Cambodge junto ao hospital bichat sofreu as consequências maquiavélicas destes terroristas. Para todos os que partiram, familiares e amigos os meus sentido pêsames.
O Estádio de França, apesar da perca de um compatriota, e uma senhora, merece os elogios de quem controla as entradas e conseguiu evitar uma tragédia ainda maior. Que a paz e harmonia reine no mundo dos vivos

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Rei gaspar

E os reis passaram sem ninguém os ver, “encafuados” nos seus tronos luxuosos, envoltos em ouro, respirando o incenso, curando-se com a mirra… mas que birra! Deixarem que os poucos fumeiros abanassem os chouriços (salpicões, chouriças e alheiras) já afumados e meio secos, para saltar sobre a rica brasa de carvalho que nem a baba gordurenta consegue apagar… um cheiro agradável da adobe entra pelas narinas dos que passam por acaso na rua deserta agasalhados mas com frio… porque é tempo do tempo… e, neste tempo, outrora eram outros tempos e nestes dias cantavam-se os reis… aos fidalgos por infinidade e aos rurais por afinidade, esperando uma recompensa, mesmo que a melodia e os cantores cantassem como “caçarolas”… raros eram os que apagavam as luzes, e se o faziam existia um verso para lhe cantar… As boas tradições vão-se apagando e o descontentamento dos que por lá passaram e se divertiram como loucos, mexe e remexe, procuram mas não veem… também não ouvem, a não ser parvoíces nos televisores – tais como a reality show, lavagem de roupa suja, e nem um 
único programa cultural! As formações académicas, tem, a meu ver, muita influência no snobismo cínico, o qual orgulha os encarregados de educação, a ponto de fingir esquecer o que foram eles e seus pais…Marginais são considerados aqueles que não vão à missa ao Domingo, comungar mesmo vivendo no pecado, pagar ao padre o equivalente de uma jeira, mesmo não tendo possibilidades, enfim fazer tudo o que eles dizem se não querem arder no inferno… Chamam-lhe janeiras, e as pessoas importantes são brindadas com elas ensaiadas, acompanhadas de instrumentos, perdendo o “charme” a capela e o seu significado.
Já nas festividades de fim de ano, e precedentemente no Natal, a afluência dos visitantes foi este ano insignificante relativamente a tempos idos. Só aqueles mais mordidos pela saudade se esforçam por estar presentes no cantinho que os viu nascer… pois não sabem o que perdem, porque apesar de poucos são bons, e recordam alegremente as falcatruas de adolescentes que irritavam os mais velhos, lesados e feridos no orgulho de ter e ver desaparecer numa noite escura e nem rastos das peças furtadas pelos “lafraus” de costume, cozinhados ao abrigo dos olhares indiscretos, e saboreados alegremente como um verdadeiro


 repasto dos abastados… surpreendi-os nesta conversas animada sobressaindo os nomes dos mais atrevidos numerosos que com a idade e a emancipação se tornaram “sages” embora o bichinho ainda mexa com eles sentindo-se lisonjeados com a reputação animadora dos tempos mortos numa Aldeia onde quase nunca se passa nada? Fiquei um tanto quanto perplexo e surpreendido com os nomes citados, mas, também eu participei, no meu tempo e noutros lugares em patuscadas da juventude mesmo não sendo dos mais “corrécios”.
O café do Reis, agora sob a gerência da “sequinha”, foi o pseudónimo que ela escolheu, continua a ser o local preferido dos que estão assim como dos que chegam por alguns dias, também atingidos pela dita crise europeia, porque se nos referirmos aos gastos em presentes
 em Portugal durante as festividades, (2.000. 500.000,00) só há crise para os pobres como sempre, os outros podem manter os níveis de vida com margem de crescimento… por cá a rotina de sempre, tendencialmente a aumentar o isolamento, por conseguinte a falta de novidades, se contarmos com aquelas que não podem ser dadas para não ferir sensibilidades, correndo-se o risco de um apartheid branco.

sábado, 13 de dezembro de 2014

Memórias

Decorriam os anos 60. Era então “o puto de vale-dos-amieiros” adotado pela casa grande, branca como neve, recentemente construída por um homem, oriundo da simpática Aldeia de Soutelo Mourisco, a quem poderiam chamar o banqueiro do povo, se nos referirmos às atividades praticadas, quando ainda possuía a tasca no centro da Aldeia de Rebordainhos, por onde passaram almocreves, forasteiros, e mesmo homens de reputação que a má sorte tinha conduzido ao colapso, vergando-se agora ao peso de um orgulho manchado pela vergonha e desprezo, porque os amigos só batem à vossa porta enquanto tudo vai bem… vinham pedir dinheiro a juros exorbitantes ao Sr. Ernesto, mediante fiança de duas pessoas possuidoras de bens superiores ao empréstimo, sujeitas ao pagamento das prestações em caso de falha do devedor, cujo documento passado no notariado chamavam “Letra”. Havia milhares de “letras” encafuadas naquela gigantesca “burra” (cofre) de ferro fundido, no aposento que servia de escritório, onde pessoas restritas tinham acesso, e a combinação para a abertura era guardada exclusivamente pelo próprio, não fosse o diabo  armá-las! Enriqueceu este homem com as 
gotas de suor dos malfadados, e em 1962, quando já morava na sua rica casa acabadinha de construir, adoeceu, falecendo nesse mesmo ano, deixando para trás os adquiridos honesta e desonestamente, com remorsos de consciência ou sem eles, não me sendo possível pronunciar, nem sequer fazer um julgamento, mesmo tendo assistido ao seu fechar de olhos definitivamente, junto do leito onde o P.e João lhe administrou a extrema-unção, e eu de bata branca e a cruz na mão o assisti.
Nesse mesmo ano, tinha o P.e João abandonado a casa de residência paroquial, situada junto do cruzeiro, próxima da Igreja, e foi viver com a mãe, uma santa mulher, a irmã D. Denérida na casa grande da qual era proprietária por herança, que exercia a profissão de professora primária em Espadanedo, e só vinha passar os fins-de-semana e férias. A pequena Angelina, oriunda de Penhas Juntas, foi, tal como eu, adotada para acompanhar a Sra. Professora nas suas deslocações por caminhos enlameados, sinuosos, e extremamente frios através da serra Mourisca onde jaz a fraga dita do “berrão” e as intempéries assustavam o mais corajoso dos humanos. As minhas funções eram de acompanhar o Sr. P.e, fazer os recados da casa,
 enquanto fermentava a ideia de ir a estudar para padre, desejo profundo da bondosa e caridosa D. Denérida, cuja reputação como professora não foi das melhores, segundo contam alunos seus de Espadanedo e arredores, e ainda os de Murçós que fizeram exames de 3ª e 4ª classe com ela, porém todos nós sabemos que a disciplina e o rigor existentes nestes tempos deram bons frutos, embora com alguns exageros…Como humanista foi , tal como a mãe, uma madre teresa exemplar, ajudando os pobres, mas sobretudo, ao retirar todo o efeito ás centenas de letras, que jaziam no fundo da “burra” de ferro, queimando-as  após a morte do seu marido. Trabalhavam na casa, no serviço doméstico, duas raparigas, ambas naturais de Penhas Juntas, que acompanharam o P.e João da Trindade Alves após a sua transferência
 
solicitada para vir substituir o P.e Amilcar, transferido recentemente por razões de mera importância, a D. Irene que casou e seguiu a sua vida, e a Luzia solteira, competente, desenvolta bastante agarrada á pouca família que lhe restava, um irmão por parte da mãe, que permanecera em África após o serviço militar, e escrevia raramente para dar noticias, e a própria mãe a seu encargo quando já velhinha… os caseiros, durante alguns anos, a tia Isaura e o marido, tio Bernardino, homem de tempera que lhe fazia a vida negra com maus tratos, como aliás a maioria dos homens destes tempos rudes, a fazia levantar par ir trabalhar no dia seguinte a um dos vários partos, e ela obedecia sem manifestar fragilidade, nem protestos que  só lhe podiam acarretar mais dissabores… Trabalhava, ou melhor, jardinava, quase por caridade, o Sr. Guerra, já com certa idade, carenciado, vindo não se sabe de onde, com quem tive conversas de adolescente para um homem da escola do mundo, que sempre me deu bons conselhos, e me prometia que um dia seria alguém na vida…
Uma cavalgadura de grande porte, manhosa e má como as mulas, servia para o transporte dos géneros alimentícios, dentro de duas alforges, que eu todos os fins-de-semana, ao Domingo pela tarde, ia acompanhado da moça e da professora, levar a Espadanedo, á casa de funções contígua à escola junto da igreja, onde uma rapariga demente, despida e descalça vinha vezes sem fim puxar as cordas do sino, e me metia medo, obrigando-me a fugir daquele local ás quatro patas, depois da missão cumprida. Mais tarde soube que teria sido internada, mas guardo ainda hoje na minha memória a imagem de uma rapariga selvagem de cabelos soltos ao vento, eriçados e sujos, completamente nua, rosto coberto de raiva que nem a sujidade podia esconder… era a demente que todos conheciam salvo eu…
Montado naquela cavalgadura parecia um pintassilgo na ponta de uma árvore! Um certo dia ao chegar perto se Soutelo Mourisco deu-lhe a pancada que tinha de vezes em quando, e não fosse o freio que apertei com todas as minhas forças ter-me-ia deitado para o chão, tal o estado de esquizofrenia, se assim se pode dizer de um animal, a tornou completamente louca, saltando aos pinotes, levantando as patas da frente, abrindo grande a boca. Capaz de me matar, furiosa como um touro bravo daqueles que se veem nos filmes Americanos. Consegui puxar a corda e prende-la a um cerdeiro junto do caminho, e sabendo que o tio Ernesto tinha um irmão a residir em Soutelo a quem chamavam de nomeada o “soquinhas”, perguntei pela casa dele e veio em meu auxilio, não podendo fazer grande coisa para domar o animal, propondo-se a guarda-lo até ao dia seguinte numa das suas estrebarias, e que disse-se ao Sr. P.e para mandar um adulto recuperá-lo. Estas e outras peripécias passadas em Soutelo e Espadanedo, que conheci nestas circunstâncias enquanto puto, não previam a minha vinda a residir para perto onde hoje tenho amigos, e recordo com nostalgia estes tempos loucos da minha adolescência.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Pelo termo...

                                                                               
                 Foi mais um passeio matinal debaixo de intensa chuva, fria, gelando-me o rosto (como na canção de Mariza) e o vento forte soprava provocando grandes dificuldades, para segurar o guarda-chuva, meu companheiro de viagem, com o qual trocava impressões relativas à desertificação das pessoas integras, das quais só restam vestígios de um olhar para trás… atravessando, uma vez mais a Aldeia de lés a lés, vendo apenas uma velhinha que tentava regressar ao aconchego da lareira, onde se refugiam os restantes moradores desta terra com semelhança fantasma no sentido de desambiguação dista da civilização que a minha mente colocou lado a lado com a “Rue du Fauboug Saint Honoré, num dia próximo das festividades Natalícias, onde os engarrafamentos medonhos suscitavam nos passantes correndo apressadamente de um lado para o outro, como formigueiro, à procura das ocasiões


excecionais de compras onde se situam as lojas mais reputadas e caras da cidade de Paris… e neste penar de lamentações, surge o olhar para a frente, ou seja, o envelhecimento que fora premeditado de forma diferente, em tempos otimistas de ilusões, onde os cidadãos sabiam fazer a diferença entre o civismo e o : “olho por olho, dente por dente”! Nestes tempos, de dificuldades e pobreza, vivia-se em harmonia, o que não acontece hoje em dia, por omissão ou esquecimento, porque ninguém precisa de ninguém, e o parasitismo paira por aí, como abutre referenciado aguardando a hora certa para aplicar o golpe fatal.
Chegava ao Santo António, e ao voltar-me deparei com a placa em zinco que dizia: - BEM-VINDOS À FREGUESIA DE MURÇÓS – e a tristeza invadiu-me… na perplexidade dos meus sentimentos, surgiram passagens diversificadas desde a adoção até a adaptação morosa, mas, que viria a enraizar com tanta grandeza, ao ponto de não suportar ouvir dizer mal, nem do sítio nem de quem ca vive. Contudo, continuo a ser considerado como forasteiro, e, apesar de não me afetar no dia-a-dia que vivo a meus custos exclusivamente, torna-se cansativo, desmoralizador, desprezível.Os lugares por onde passo regularmente nos meus passeios solitários para desenferrujar os membros inferiores, e oxigenar os pulmões com um balão de ar puro, tornaram-se rotineiros, sem aquela beleza paisagista, “charmosa” que as giestas, estevas, pinheiros, e outros

arvoredos campestres suscitavam atenciosamente, e os caminhos conduzem-me sempre a esta casa onde me refugio a ler o último livro comprado, cujo titulo e um texto publicado nas redes sociais, que visito frequentemente e me deixam cada vez mais desapontado os conteúdos publicados, vindos da prefabricação para extorquir fundos monetários, e publicidades mentirosas, me desiludiu o autor com o vocabulário, talvez perspicaz para esta geração á “rasca”, mas deveras repugnante contextualmente. Saturado das amizades virtuais que servem apenas a coscuvilhice, travo lutas desenfreadas no jogo de damas contra opositores não sei de onde, mas, que como eu, gostam de ganhar ainda que seja a feijões… eis o meu matar do tempo, enquanto Ontem desci pela estrada de Ferreira até água-dalte, subi o caminho que vem dar ao velho campo de futebol onde me quedei alguns minutos relembrando os tempos em que as equipas de Murçós e Rebordainhos ali se defrontavam, com o mínimo de condições para o exercício deste desporto. Fomos derrotados uma destas vezes por 8-o, mas não saímos de lá humilhados… em primeiro lugar porque Murçós quase sempre teve uma equipa melhor que a nossa, e depois porque o campo tinha uma elevação gradual, sem linhas, balizas de madeira com trave de corda, e um “bec” que metia a bola na baliza com a mão nos lançamentos de fora. Lembro não chega o tempo bom para a apanha da azeitona.com grande emoção o nosso guarda-redes Albino, que faleceu com um cancro cerebral no auge da idade, deixando três filhos de tenra idade ao encargo da esposa cujo sofrimento compartilhou durante o tempo de fase terminal, regressando despedido dos médicos a casa, e, como um mártir, soltava gritos que se ouviam do centro da Aldeia… de salientar que nesse tempo ainda não era aplicada a morfina para atenuar o sofrimento, pelo que jamais esquecerei este amigo, bom e generoso, trabalhador e honesto, herança de uma família exemplar. Que Deus te reserve o lugar que mereces no céu, grande amigalhaço.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Dia de Carnaval em Murçós






Os tempos já não são os mesmos...o número de pessoas a desfilar com diversas brincadeiras que faziam rir os que, de, propósito se agrupavam no Outão para ver passar os cómicos, cujas invenções humoristicas, astuciosas, que ainda hoje são contadas e recordadas com emoção e alegria, também não, mas... a mentalidade e os princípios estão bem entranhados nesta gente ao sabor do rir e da boa disposição quando os eventos o requerem. Podia haver carnavais no Brasil ou n'outros locais de perfeição, contudo, era o deles que primava com valía importantíssima apesar dos magros meios. Foi mais um, para os filhos de Murçós, alegre, com risadas e comentários nos agrupamentos. Felicitações para os que ousaram, e ao mesmo tempo preservaram tradições importantíssimas locais.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012


Para quebrar  a monotonía, banhados por um maravilhoso sol , os moradores de Murçós, procuram no solo, uns grãozitos de alimento, umas bichas perdidas no trajecto préviamente traçpado, felissíssimos e descontraídos, sem medos nem receios, pois até os cães desertaram, não se sabe para onde...

Vale de Escuro, com suas águas verdes e calmas, procuram no silêncio da desilusão, argumentos para aliviar o sofrimento do abandono precoz, e injusto... até o prometido pela desinfecção lhe está atravessado na garganta...suborno e papadeira envergonha uma população simples, mas não burra!


Os coelhinhos brancos, do Zé, recem-nascidos, não se sociam do que cá fora é hostelidade, fraqueza, e angústia...adormeceram com as belas musicas passadas na Comercial, e sonham com Verdi, Betoven, Strauss etc. No seu ninho bem ordenado e cuidadosamente protegido, ao abrigo dos olhares invejosos e indiscretos, dormem profundamente, uns contra os outros, porque dividir, para eles, é lógico e normal.

As giestas fazem a vénia com o peso da neve, do ano passado, nostálgicas e tristes, porque este ano ainda nem avistaram semelhante brancura...

A placa sinalizadora indica bem esplicitamente o caminho da pacata Aldeia, mas, atraente e acolhedora, apesar da desertificação progressiva por falta dos meios de sobrevivência necesários para um viver digno e saudável, com paz alegria carinho e felicidade...

Para matar o tempo e o desejo, do alto dos seus 95 anos, a tia Aurora, faz na renda, sem óculos e com firmeza nos pontos que vai acumulando, coberta com o seu chapéu típico, ao abrigo do vento e do sol, enquanto guarda a galinhada de um qualquer intruso. Já com dificuldade auditiva, mas, sempre ágil nos movimentas, e franca nas palavras humoristicas e práticas do que viveu durante 9 decadas.
Mesmo que Murçós não volte a ser o que foi, será sempre a linda Adeia Trasmontana!!!











quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Há olhares que não mentem… expressões que visam os nossos corações! Há bocas que se calam … dores que se transmitem; há seres insensíveis que a crueldade adornou, o ódio alimentou, e o cinismo dominou!?

O PUTO:
Nasceu num verdadeiro Palácio, lá para os lados da Loire. Tinha criados para todos os seus movimentos e acções. Nasceu num berço dourado, com lençóis de cetim cobertores de caxemira, estrelas brilhantes luminosas, que expandiam melodiosas baladas enquanto dormia, e sonhava… sonhava com coisas horríveis, pesadelos que lhe roubavam a alegria, os sentimentos, a felicidade fácil, facultada com os melhores valores materiais, existentes nas redondezas. Densas vezes, acordou em choros, em gritos desesperados, que o atormentavam ao mais profundo do seu ser. Filho único, seus pais não compreendiam, não concebiam tais traumas, sem razões aparentes, sem qualquer justificação… não lhe faltava nada, porquê tais procedimentos? Os criados queixavam-se de bruxedos invejosos, de possessão demoníaca, de maus-olhados, mas, os pais, cultos cientistas, não acreditavam em nada, tentando encontrar cientificamente a verdadeira razão dos traumatismos. Levavam-no visitar lugares nobres e cultos, frequentava o conservatório musical de Paris desde a sua tenra idade, tinha lições de equitação, falava já cinco línguas correntemente, era um dotado de inteligência, mas… ninguém o compreendia. Os deveres protocolares, tantas imposições e restrições, faziam do puto, um objecto comandado para ser o que os outros queriam que fosse… um “pantin”.
Numa visita ao Sacée-Coeur, a pés, para melhor apreciar a beleza de Mont-Martre, com suas vinhas, seus moradores, quase todos artistas, vivendo em casas construídas sobre rochedos, chegaram à praça do Tertre, onde centenas de pintores ofereciam seu serviços em troca das pinturas rápidas amor que nunca tive… do carinho que me falta, das histórias lindas para adormecer que meus ou simplesmente um desenho caricatural.
- Deseja que pinte sua família? Perguntou um deles.
Não. – Respondeu o pai – nós já temos valorosos quadros no palácio.
Mas o puto não abandonava o local… sentia uma fascinante atracção pelos pintores e suas obras. Já os seus familiares desciam para o elevador, quando ele se voltou a correr.
Dirigiu-se para um dos pintores e disse: - Podem pintar os meus sentimentos?
- Podemos pintá-lo a si menino… só pintamos o que vemos!
Seus pais que tinham voltado à procura do filho, aguardavam perplexos, o desfecho da conversa.
O puto tomou novamente a palavra e disse:
- Então vão fazer o seguinte: pintem a mímica, do pais nunca me contam, os jogos com meninos da minha idade encerrado num palácio de rosas picantes… pintem tudo o que me falta, porque o resto sempre o tive.



quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

CANTAR DOS REIS NO CONCELHO DE MACEDO DE CAVALEIROS

No mensageiro de Bragança
Tradição de Cantar os Reis mantém-se viva Por: Ana Preto / Secção: O Olhar / 14 Janeiro 2011 ·  ImprimirEnviar a um amigo Apesar da televisão, de cada um viver mais “fechado no seu canto”, ainda há quem abra as portas às boas festas e aos desejos de um bom ano
Cantar os Reis, evocando a adoração ao Menino Jesus, é uma tradição antiga, em todo o país, que ainda se mantém, assumindo novas formas. No Nordeste Transmontano era frequente, em muitas localidades, a partir do dia 26 até ao final do mês de Janeiro (razão pela qual também se chama a este cantar “As Janeiras”), constituírem-se grupos improvisados de cantadores que, à noite, percorriam aldeias, cidades e vilas, de porta em porta, cantado aos senhores de cada casa, desejando saúde, sorte ou prosperidade, para o ano que se inicia, e abençoando o nascimento do Menino Jesus. Actualmente, esta tradição, de um modo mais espontâneo, só se mantém em certos lugares. Encerrados numa nova forma de vivência social, nem sempre os senhores das casas estão dispostos a abrir as portas e a dar algo em troca de uma canção. Antes deste tempo, normalmente o que se dava aos cantadores era uma peça de fumeiro. Segundo José Jecas, de Arcas, concelho de Macedo de Cavaleiros, nesta aldeia essa tradição não se perdeu. Ainda hoje cantam porta a porta e recebem, em troca da canção de boas festas, linguiças e alheiras. “Depois vamos para a patuscada. É espectacular, toda a gente adere, nem se deitam à espera que nós passemos”, referiu, acrescentando que, nesta aldeia, há ainda “muita rapaziada nova”. Contudo, grande parte destas tradições são mantidas através de iniciativas, muitas vezes organizadas por entidades externas, como as Câmaras Municipais. Foi isso que aconteceu, no passado dia nove em Macedo de Cavaleiros e Alfândega da Fé e, na noite anterior, em Miranda do Douro. Cada um destes municípios promoveu um encontro de cantadores de Reis, nos quais participaram diversos grupos, alguns constituídos exclusivamente para o efeito, outros que vêm desenvolvendo actividades culturais diversificadas, ao longo do ano, sempre em prol da cultura tradicional. Segundo Sílvia Garcia, vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Macedo de Cavaleiros, desde que o município lançou esta iniciativa, há nove anos, tem-se notado um aumento da quantidade e da qualidade dos grupos presentes. A iniciativa é importante pelo convívio que proporciona, e também porque contribuiu para “manter uma tradição que ainda está viva no nosso concelho”, sublinhou a vereadora. António Baptista, presidente do Grupo de cantares de Castelãos, contou-nos que, naquela aldeia, a tradição de cantar os Reis estava praticamente perdida. A tradição foi retomada agora, a nível de grupo, que estava inactivo há cerca de dois anos e meio e foi agora reactivado, precisamente por causa desta iniciativa. “Estava bastante perdia, as pessoas já estavam desabituadas”. Contudo, agora “têm encarado isto com muita alegria, porque também como é uma aldeia desertificada, como todas as outras, já há pouca gente e quando há qualquer iniciativa destas as pessoas ficam satisfeitas e acompanham o grupo para todo o lado”, afirmou. É precisamente o convívio que havia, e não haverá, talvez, aquilo que Maria Teresa Espadanedo, de Morais, mais recorda com saudade. Contou-nos que, quando era pequena, ia com a mãe e a irmã, cantar os Reis e não era “por dinheiro, nem tão pouco chouriços”. Iam cantar aos amigos que, naqueles tempos, eram muitos. “Naquela altura, quase não havia inimigos, sabe porquê? Porque vivíamos todos ao mesmo nível, não havia pessoas mais ricas do que as outras, era um nível igual e como era igual, e as pessoas eram todas simples, ninguém andava a olhar de lado uns para os outros”. Também, o ambiente social, o facto de não existirem distracções vindas de fora da comunidade, proporcionava esse convívio, hoje já pouco habitual. “Havia mais alegria. Não havia televisões... Eu lembro-me de não haver mesmo electricidade, e rádios não eram todos que os tinham! Então era bom passar estes bocados assim. Havia mais convívio. Não digo que não havia gente má, mas era em menos quantidade. Eu tenho saudades daquele tempo. Hoje andamos lá metidos no cantinho sempre. Mal nos vêem na rua, não há tempo para nada e eu digo: não é normal esta vida e não é normal...!”. Para manter talvez a vida, dentro de âmbitos mais normais, na sua aldeia, existe a Associação dos Amigos e Melhoramentos de Morais. Foi com este grupo que Maria Teresa esteve no Centro Cultural de Macedo de Cavaleiros, a cantar os Reis. Segundo Alzira da Conceição, em Morais ainda existe esta tradição de cantar os Reis porta a porta, mantida sobretudo pelos mordomos da grande Festa anual, que vão angariar fundos, desta maneira, mas “já não é como antes”. Esse grupo de Morais apresentou, no final, um dos cantares mais diferentes, a “Canção da Manta”, chamemos-lhes assim, cuja letra Maria Teresa aprendeu com a sua avó, há muitos anos. Uma manta é segurada nas quatro pontas, sobe e desce, conforme a letra. Quando sobe alguém passa por baixo.
Também em Murçós se mantem esta tradição... embora, como é referido no texto, o "reizinho" ou chouriço, já não satisfaça os cantadores, que preferem uma moedinha, e uns licores para afinar a garganta. Geralmente esta prática, incumbe aos jovens, mas, acontece que também grupos formados por adultos, percorram a Aldeia, mais com o intuíto de levar as Boas-Festas até junto daqueles considerados e respeitados, que própriamente para angariar fundos ou géneros.
QUE OS SANTOS REIS NOS TRAGAM A TODOS HARMONÍA E PAZ

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Estrela da Tarde pálida, mensageiro distante
Cuja testa brilhando das velas do pôr do sol
No seu palácio de azul, no firmamento,
O que você procura na planície?

O que você está olhando para o chão dormindo?
Mas já nas montanhas, Eu vejo você se humilhar;
Você fugir, sorrindo amigo melancolia
Estrela caindo na colina verde,
Tremer e seus olhos são quase apagadas.

Manto de prata triste Lágrima da noite
Você que olha ao longe o pastor que anda,
Enquanto avança ao longo do rebanho segue.

Etoile onde você está indo nessa grande noite?
Você está procurando uma cama na praia nos juncos?
Onde você está indo tão bonita neste momento de silêncio
Caem como uma pérola em águas profundas?

Ah! Se você deve morrer, bela estrela, e se a minha cabeça
Ir para o mergulho vasto mar os cabelos loiros,
Antes de sair, parar por um momento:
Estrela do amor, não descerá do céu!

 

 

  Alfred de Musset


quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

FELIZ ANO 2012


O cspsl Murçós
deseja a todos os seus conterânios, visitantes e amigos  um ano
2   0   1   2
Repleto de magía:
Saúde, paz e amor, na companhia dos que lhe são mais queridos


segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Recolta das tangerinas

Fina
Árvore:
Produtiva, vigorosa, copa arredondada, folhas verde claro. As folhas apresentam-se um pouco dobradas.
Fruto:
Pequeno calibre (50-60g) de forma redonda a oval. Possui boas características organoléptica, com bom conteúdo em sumo, açucares e compostos aromáticos. Geralmente não apresenta sementes. Colheita precoce, a partir de princípios de Novembro até meados de Janeiro, podendo permanecer algum tempo na árvore sem perda de qualidade.

Tangerineiras do tipo Clementina
 
Nules
Árvore:
Grande porte, vigor médio a grande e forma arredondada. Folhagem de cor mais clara que outras clementinas. Produtiva e de rápida entrada em produção. Floração escalonada. Para assegurar boas produções necessita, por vezes, de tratamento com ácido giberélico.
Fruto:
Calibre médio a grande (70-80g), forma achatada, fácil de descascar, sumarento e de boa qualidade. Normalmente sem sementes. Cor laranja intensa. Colheita de Novembro a Janeiro.




Após um dia de Natal passado com familiares e amigos harmoniosamente, bem comidos e bem bebidos, baile e animação que os mordomos do menino Jesus preconizaram com tacto e gosto, no salão de festas da sede Junta de Freguesia, o qual durou até demanhã, já o dia aclarava, com afluente participação da juventude de Murçós e Aldeias limítrofes, ambiente de "rachar" e boa disposição colectiva, cuja finalidade é angariar fundos com o bar bem presente a " bombar", que servirão benéficamente segundo as necessidades dos órgãos representativos, fabriqueira, festas, ou centro social e paroquial...
Hoje, Segunda feira, dia de "resaca" mas também de trabalho, porque a vida não se resume a festas, numerosas pessoas continuam na recolha da azeitona, outros, como eu, nas das tangerinas, porque a geadas caem cada vez mais densas e frias, ameaçando os citrinos, que preferem um clima tropical.
Como tenho vindo a dizer, em Murçós abundam as árvores frutíferas, e as variedades são numerosas, muito derivado da elevação das temperaturas nas terras altas, fazendo a felicidade dos que uzofruem das frutas e legumes sem tratamentos químicos, para consumo próprio, dividido com familiares e amigos de outros horizontes que não possuem a mesma sorte, porque nesta terra não se vende nada, ou quase nada...
De dia, o sol está raionante, mas ao caír da noite, o solo veste manto branco, mas, os corações da população continu quente... Ano de 2012 próspero, com saúde paz e amor .

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

A INDÚSTRIA EM MURÇÓS


O Sr. José Fernandes, mais conhecido na Aldeia como: Zé dos coelhos, exercia sua profissão em Bragança, até que um dia, uma hérnia discal, o obrigou a procurar outra profissão compatível com o seu estado de saúde. Alugou um espaço junto da cidade, e, aí começou uma exploração de cunicultura. Como o aluguer do espaço lhe custava demasiado caro, três anos depois, pensou e reflectiu na possibilidade de se estabelecer na sua Aldeia Natal. Mandou construir o estábulo num lugar acessível, com todos os maquinismos necessários e indispensáveis, com grande força de vontade e espírito de sacrifício, dados os custos, e, aí está ele hoje, à frente de uma indústria comercial de coelhos com grande envergadura. Cada 40 dias, saem dos seus locais por volta de três mil coelhos direitinhos para o matadouro, e em seguida para o mercado. Visitei os locais, a cerca de 1 km da Aldeia, e, frente aos grandes portões de ferro, do outro lado dois cães gigantes vieram acolher-me…apitei e logo apareceu o proprietário a quem pedi para visitar as instalações. Mostrou-se receptivo, e com humilde mas orgulhosa aparência, levou-me até aos milhares de jaulas, mostrando-me as mães dos coelhos separadas para novos frutos… os recém-nascidos, maiorezinhos e os que estão quase a deixar a morada. Impressionante!!! Uma beleza maravilhosa, aqueles coelhinhos! A alimentação e bebidas são efectuadas automaticamente, assim como a limpeza… - o trabalho não é pesado, mas, é necessária a presença contínua, para vigiar  os recém-nascidos e as fêmeas no parto. Fiquei surpreendido com a rádio a funcionar noite e dia, com músicas, para evitar o stress dos animais. Desejo as maiores prosperidades a este homem de meia idade, que não exitou a pôr em prática um projecto bastante custoso, numa Aldeia  de onde a maior parte dos jovens fogem. Desde que as minas encerraram, os comércios na Aldeia são poucos, 3 cafés, embora estejamos bem servidos com os vendedores ambulantes. Força Zé…








José Fernandes