| Murçós vista dos lameiros |
| Vale de Cavaleiro |
| horto do mi tonho |
| a construção em crise... |
As idades avançadas dos residentes, juntamente com a fatalidade das doenças, cada vez mais mortíferas com pessoas de gerações relativamente novas, são realidades quotidianas, as quais nos trazem sofrimentos e martírios, carregados ao longo de anos, sem grandes alternativas.
Isolados, na sua velha casa, com o mínimo de conforto, e numerosas dificuldades motoras, os nossos idosos sentem-se abandonados pelos seus entes queridos, impotentes, receosos e feridos com tais situações, predestinadas, incompreensíveis aos olhos de quem vê o problema do exterior.
A Agricultura decadente e pouco rentável, é mais um factor incisivo à partida dos jovens, rumo às grandes cidades, única possibilidade de encontrar um meio de vida digna, e que possa garantir a sobrevivência dos familiares. Emigrar é outra das soluções encontradas pelos nativos de Murçós, mas, sempre que lhe é possível vem visitar parentes e amigos, recordando nostálgica mente, os difíceis, mas, adoráveis tempos passados, na escola, no café, nas festa, sempre que a disponibilidade permitia.
A construção civil, também vitima da crise, vai-se alimentando com biscatos aqui e ali, porque construir casas de raiz, seria uma perca de tempo e dinheiro, sobretudo quando se reside a 21km da cidade de Macedo de Cavaleiros, cujas perspectivas evolutivas não são as melhores.
Queixar-se não serve de nada, mesmo sabendo que dentro de poucos anos, Murçós será mais uma das Aldeias fantasmas do Nordeste Transmontano.
O Sr. " mi tonho ", como lhe chamava sua mãe de origem Espanhola, viveu, no tempo das vacas magras, com grandes dificuldades, financeiras e outras, que hoje conta, assentado junto ao café do Reis, sorridente e com humor, embora sobressaiam as sequelas deixadas pelos maus tratos, carência, e desprezo por parte das pessoas abastadas.
Nas suas histórias aparecem frequentemente parábolas de desenrasque para sobreviver. Muito jovem, foi trabalhar para as minas, onde residiam seus familiares numa velha e pequena casa. Como aconteceu com a maioria das famílias numerosa, seus pais não lhe facilitaram a existência, e, teve que comer o pão que o diabo amassou. Conta hoje elegantemente dezenas de histórias tal como: Apanhar um grande lagarto, juntamente com outros comparsas, fritá-lo e comeram-no, nem o molho ficou. Outra vez subiu a uma árvore mandado por alguém à procura de um ninho, no meio de uma Silveira, e já no alto, veio o interlocutor e cortou a árvore, caindo o pobre homem dentro... conta também uma ida a Rebordainhos com um amigo e anoiteceu, com chuva torrencial à mistura o que os impediu de voltar, dormindo no palheiro do tio António então taverneiro. Hoje, em Murçós, grandes personalidades, podiam ser homenageadas; escolhi um homem simples, por direito e justiça, pois anima actualmente, a monotonia dos momentos solitários e difíceis decorrentes no dia a dia, ainda que por vezes com sarcasmo querendo vingar-se do tempo em que era considerado miserável. Vive numa simples casa sem conforto, mas, vive feliz... Que Deus lhe conserve esse humor por muitos anos, tio mi tonho...
| mi tonho e os seus saberes... |


