domingo, 17 de julho de 2016

Viveres



simplesmente maria
VIVI…
Vivi na ignorância e na incompreensão
Na mentira e desilusão
Na falsidade e corrupção
Vivi feita carne para canhão
Agora
Vou querer morrer no meio da solidão.
Uma campa rasa no chão.
Não quero mármore branco e frio
Enterrem meu corpo na lama
Cale-se a voz que me chama
Deixem minha alma deambular no vazio
Quero voar na eternidade
Nas asas de anjos desprovidas de maldade
Rumo ao infinito
Numa nuvem tatuar rosas douradas.
Decifrar no azul do céu palavras cruzadas
Falar linguagens codificadas
Recolher almas penadas
Para fazer ver que não morri de dor
Morri de saudade
De ansiedade
De maldade
Morri de sonhos que sonhei em vão
E todos ficarão a saber que afinal eu tinha razão.
Morri de pé na clareira
Como uma árvore altaneira
Forte e rija.
Pura madeira.
Acto de negação
Eu morri de pé!
Ficaram apenas as cinzas no chão.
M.C.M. (São Marques)

Há coisas

Há Coisas e Coisas

KHumpel

Existem coisas na vida das quais eu realmente me arrependo...
Da palavra que eu não disse quando deveria ter dito.
Do problema que deixei de resolver por achar que seria difícil.
Da oportunidade que deixei passar por achar que seria impossível.
Da luta que deixei de travar por imaginar que não valia a pena.
Do sonho que deixei de sonhar para viver a dura realidade.
Das coisas que deixei de aprender por acreditar que não tinha mais a saber.
Das lagrimas que não derramei por vergonha de demonstrar o que sentia.
Do grito que não dei quando estava com aquele nó na garganta.
Do amor que julguei perdido e deixei ir sem lutar.
De ter sido tão superficial quando o que eu queria era ter-me aprofundado.
Do caminho que deixei de seguir por não saber se seria seguro.
Arrependo-me de ter sido tão covarde em não arriscar conhecer o desconhecido.

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Tenho a certeza

MARIA SIMPLESMENTE

TENHO A CERTEZA
Que a minha alma é feita de vidro e luz
Que a esperança é o fio de ceda que a conduz
Tenho a certeza que a voz é um grito de saudade
Que se dependura entre o sonho e a realidade
Que o meu coração é transparente
Tenho a certeza que muitas vezes errei
Que muitas vezes pequei
Que fui amada e amei.
Que fui acariciada com asas de anjos
Fui vítima de tramas e desarranjos
Tenho a certeza que sol namora a lua
Que a minha vida se cruzou com a tua
Que o fio da navalha cortou o meu destino
Que as pedras da calçada dissiparam o meu caminho
Que as cegonhas regressam na Primavera
Que o silêncio é apenas uma quimera.
Tenho a certeza que que passei dias de terror
Que o meu corpo se contorceu de amor
Que adoro o som estridente das guitarras
Que o verão chega com as cigarras
Que gosto do incenso de alecrim
Tenho a certeza…
Que o mundo que habito não foi feito para mim.
Que deveria ser proibido errar
Que todos deveriam ter nova chance para recomeçar
Tenho a certeza que vivi com dignidade
Que não tolero a desigualdade ´
Que odeio a maldade.
Que a morte um dia vai chegar
E os meus olhos docemente encerrar.
M.C.M. (São Marques)


quarta-feira, 29 de junho de 2016

As cidades

 FERNANDO CALADO




…no tempo das profecias
As cidades são como as pessoas, entardecem e silenciam-se, quando o sol regressa do campo para sua casa amornecido pelo convívio íntimo com as searas que se deitam no colo do vento que passa só por passar…
E as cidades têm ruas e casas, avenidas, becos, gente anónima, gente 
feliz, gente que morre de tristeza, gente com pão e gente que conta os cêntimos na imensidão dos meses que não têm fim.
As cidades têm loucos que sorriem e bêbados que se embebedam para ao entardecer poderem dizer todas as verdades que nenhum santo disse e gritarem aos transeuntes que acordem e se convertam… o fim do mundo está perto… depois bebem mais e mais no conchego da taberna… que nostalgicamente resiste entre a sueca, o chincalhão e dois copos dos últimos clientes.
As cidades têm gente muito séria que passa pela vida, sem pecado original… vão à missa das seis… ao mês de Maria… à reunião da comissão política do partido… e são gente de bem… e tão felizes...
…depois morrem… e talvez sorriam… pela primeiríssima vez… talvez sorriam da pasmaceira da vida da gente séria…
As cidades a nordeste envelhecem… e Deus perpassa por entre o silêncio… e um dia as casas… as ruas… os becos… as avenidas serão somente ruas, casas e becos e avenidas… e não haverá nem gente feliz, nem gente triste, nem ricos, nem pobres, nem gente séria… somente a cidade e o silêncio.
…as silvas e os cardos crescerão por entre as casas, as ruas, as avenidas e os becos… os lobos e as raposas descerão à cidade… e nesse tempo os Senhores, tão sérios, de Lisboa acordarão… assustados…com a evidência das ideias luminosas… é preciso salvar o interior… é preciso combater a desertificação… ´é preciso…
… nesse tempo… talvez o louco e o bêbado… na sua lucidez, ainda estejam por cá para contar a história.

domingo, 19 de junho de 2016

Dia de Santo António em Murçós

Hoje foi o dia escolhido para as festividades do Santo António de Murçós, e que dia! Sublime em todos os aspetos. Um sol maravilhoso, e uma aderência massiva de pessoas vindas de todo o lado. Esta tradicional festa convívio está-se tornando numa indispensável presença, com eucaristia acompanhada pela minibanda de Bragança, campal com respeito, à sombra das lindas árvores que ali foram plantadas há alguns anos, assados de porco no espeto como se pode ver nas fotos, sardinhas, entradas e frutas tudo com fartura, desfrutando de um ar puro que se respira, enquanto o bar ia vendendo refrescantes e outras bebidas, e o pequeno conjunto esperava para atuar. Houve ainda os jogos tradicionais com prémios variados, com imensas inscrições para angariar fundos. Fica desde já o meu sincero agradecimento para todos aqueles que trabalharam benevolamente para que este evento fosse tão agradável e surpreendente na aderência. Creio não ter havido uma única pessoa a ficar na Aldeia, e foram tantos a vir de muito longe, mas creio recompensados pela magnifica gerência onde não faltou nada para passar um dia maravilhoso que nos anos a seguir creio voltarão a repetir pois na minha opinião supera o de Edroso em convivência. Bem-haja guerreiras e ajudantes. 





































quarta-feira, 8 de junho de 2016

Falecimentos

Faleceu ontem o Sr. Aniba dos Santos Fernandes Pires, o seu funeral terá lugar hoje por volta das 17h em Murçós
É mais um ser humano muito querido e respeitado na Aldeia que segue o caminho de nós todos. Homem de carater, grande conversador, humilde, servidor, com muitos conhecimentos relativamente à Aldeia. A sua honestidade e franqueza fizeram dele um Homem com H grande.A todos os seus familiares apresento as minhas condolências. Paz à sua alma

sábado, 4 de junho de 2016

Oculto

Maria simplesmente

OCULTO
Um vulto desliza na parede imaculada do meu quarto
Sinto um cheiro estranho…
Enxofre…acre-doce… 
Um adocicado azedume 
Será um mau perfume?
Nada sinto.
Apenas perssinto
Uma corrente de ar
Um arfar…
Um suspirar e um respirar?
Escuto um roçar de asas
Cheira-me a tabaco barato…
Roça-me na pele, um pelo macio
Talvez um rato...
Vela a minha insónia …
E eu…vejo-me e cheiro-me nela.
Alma moribunda e tresloucada
Púbis alucinada e desventrada.
Quatro cantos do meu quarto
Quatro velas acesas
Um crucifixo na mesa
Um frasco com óleo sagrado
Quatro pedras de cloreto de sódio
Afasto de mim o demónio,
Tomo banho em água benta
Afasta te de mim satanás…
Faço o sinal da cruz e rezo aos pés de Jesus
Que o demónio fique para trás
Tudo isto era um absurdo!
Não acredito no oculto
Afinal a sombra na parede do meu quarto.
Era apenas do amor um simples vulto.
Um sagrado ritual e um culto.
M.C.M. (São Marques)