sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Este seria o lar de Murçós

Todo filho é pai


" Há uma quebra na história familiar onde as idades se acumulam e se sobrepõem e a ordem natural não tem sentido: é quando o filho se torna pai de seu pai.

É quando o pai envelhece e começa a trotear como se estivesse dentro de uma névoa. Lento, devagar, impreciso.

É quando aquele pai que segurava com força a nossa mão já não pode  levantar-se sozinho. É quando aquele pai, outrora firme e intransponível, enfraquece de vez e demora o dobro da respiração para sair de seu lugar.

É quando aquele pai, que antigamente mandava e ordenava, hoje só suspira, só geme, só procura onde é a porta e onde é a janela - tudo é corredor, tudo é longe.

É quando aquele pai, antes disposto e trabalhador, fracassa ao tirar sua própria roupa esquecendo tomar seus remédios.

E nós, como filhos, não faremos outra coisa senão trocar de papel e aceitar que somos responsáveis por aquela vida. Aquela vida que nos gerou depende da nossa vida para morrer em paz.

Todo filho é pai da morte do seu pai.

Ou, quem sabe, a velhice do pai e da mãe seja curiosamente nossa última gravidez. Nosso último ensinamento. Fase para devolver os cuidados que nos foram confiados ao longo de décadas, de retribuir o amor com a amizade da escolta.

E assim como mudamos a casa para atender nossos bebés, tapando as tomadas e colocando cercadinhos, vamos alterar a rotina dos móveis para criar os nossos pais.

Uma das primeiras transformações acontece na banheira.

Seremos pais de nossos pais na hora de pôr uma barra na cabine do chuveiro.

A barra é emblemática. A barra é simbólica. A barra é inaugurar um cotovelo das águas.

Porque o chuveiro, simples e refrescante, agora é um temporal para os pés idosos de nossos protetores. Não podemos abandoná-los em nenhum momento, inventaremos nossos braços nas paredes.

A casa de quem cuida dos pais tem braços dos filhos pelas paredes. Nossos braços estarão espalhados, sob a forma de corrimões.

Pois envelhecer é andar de mãos dadas com os objetos, envelhecer é subir  a escada mesmo sem degraus.

Seremos estranhos na nossa residência. Observaremos cada detalhe com pavor e desconhecimento, com dúvida e preocupação. Seremos arquitetos, decoradores, engenheiros frustrados. Como não previmos que os pais adoecessem e precisariam de nós?
 Arrepender-nos-emos dos sofás, das estátuas e do acesso caracol,  arrepender-nos-emos de cada obstáculo e tapete.

E feliz do filho que é pai de seu pai antes da morte, e triste do filho que aparece somente no enterro e não se despede um pouco no em cada dia que passa.

Meu Zé amigo acompanhou o pai até  aos seus derradeiros minutos.

No hospital, a enfermeira fazia a manobra da cama para a maca, buscando repor os lençóis, quando Zé gritou da sua cadeira: é

— Deixe que eu ajudo.

Reuniu suas forças e pegou pela primeira vez seu pai ao colo.

Colocou o rosto de seu pai contra seu peito.

Ajeitou nos seus ombros o pai consumido pelo câncro: pequeno, enrugado, frágil, tremendo.

Ficou segurando um bom tempo, um tempo equivalente à sua infância, um tempo equivalente à sua adolescência, um bom tempo, um tempo interminável.

Embalou o pai de um lado para o outro.

Aninhou o pai.

Acalmou o pai.

E apenas dizia, sussurrado:

— Estou aqui, estou aqui, pai!

O que um pai quer apenas ouvir no fim de sua vida é que seu filho está ali. "


quinta-feira, 24 de agosto de 2017

O FIM

O FIM Hoje, Vela-me, como se vela um morto. Senta-te! Olha-me, agora, nubífero e deitado, Nos olhos deste corpo prostrado. Atento à flor-de-lis e purpúreas hortênsias, Símbolos do amor-perfeito, Com alguns lírios brancos Derramados pelo chão, Que recordam anos de solidão. Lê meus lábios… Nas palavras outrora proferidas, Dos monólogos que tive contigo, Agora lembradas e repetidas, Como um conselho amigo…Fita o meu corpo frio, Que mais não tem para deixar Além da Saudade eterna, Na eterna fome de te abraçar. Velas lúgubres que me iluminam, Luzes do além… Fontes de vida que terminam, Botões de rosas que renascem No perfume que a vida tem. Já cá não estou para te ver, Mas mesmo assim estou feliz, Por te ver renascer. Levando comigo o teu olhar, Sei que estarei sempre contigo, Em qualquer lugar, Mesmo lá no fim… Onde as cores terminam. E PARA TODO O SEMPRE…..
De Orlando Martins

E quando...

E quando a terra tremer… por debaixo daqueles passos tão leves, levarei comigo a aragem; a bruma que oculta o meu ser. A pena que já não seguro nas mãos, esgueira-se por entre os dedos hirtos, crocitam os corvos voando, ouvem-se cães ao longe a uivar, adivinha-se uma desgraça, murmuram as feiticeiras invisíveis ao luar.
E quando a luz se apagar, ao longe deixe de enxergar, a silhueta da mulher que sempre amei; partirei com um peso no peito… com a paixão que me matou, com a ilusão que perdurou no fluxo que nos encontrou.
Foram tantas e tão lindas as pétalas, dos malmequeres que ambos desfolhámos, mas… foi tão madrasta connosco a vida! Poderemos voltar a encontrar-nos? Não queria desacreditar-te! Aquela oportunidade que fugiu, e para tão longe levou, nossos sonhos de encanto, nem para trás olhou… dessa corrida desenfreada, restam vestígios de dor, sequelas que jamais sararam, do que se chama grande amor.
E quando deixar de ser, aquilo que jamais fui, voltarei aos lugares prediletos, àqueles cantos e desencantos aos nossos cantinhos secretos… onde te apertava a mão, e sentia dentro de mim o bater do teu coração; adivinhava-te uma lágrima a cair por entre a escuridão, desses olhos encantadores, que te molhavam o rosto chegando ao meu coração; no firmamento corria uma estrela, sem destino nem direção, iluminava nossas noites cálidas, de ardorosos beijos ternos intermináveis, era a nossa oração…
E quando tudo acabar, e já não houver tempo para amaldiçoar, nem sequer para perdoar… Ó vida mãe! Vida doçura!... Que para nós foste madrasta dão dura… embala no teu colo nossos e vossos, teus e seus, faz a estrela brilhar naquela noite medonha escura que me conduziu à sepultura.
E… quando o “croquemort” chegar, com coroas das mais lindas flores do jardim, perfumadas de cera e incenso, não tentem gritar por mim, levem-me apenas num silêncio profundo, para junto daqueles que pertenceram ao meu mundo; a terra que tanto amei, onde estão os caminhos que pisei, os meus sonhos de homem e criança, onde nasceu a esperança, onde ninguém me olhou com desconfiança.
E quando os sinos tocarem e para a última morada me levarem, parem somente uns segundos diante da casa onde nasci, porque me quero despedir dos momentos que ali vivi tão profundos.
E…



quinta-feira, 25 de maio de 2017

Talvez seja tarde

TALVEZ SEJA TARDE “in suspiros lunares”
Talvez seja tarde, mas vou esperar.
Enquanto o mundo for mundo
Enquanto eu viver por ti.
Enquanto te amar.
Vou esperar até que a voz me doa
O cansaço me destroce
Até que uma pedra crie alma
Até que a morte me eleve aos céus
Até que a revolta se calme
Vou esperar-te até que deixem de existir noites
Que seque o mar
Até que o sol se apague
Talvez seja tarde, mas vou esperar
Até que o silêncio grite
Que o céu caia a pique
Até que o meu poema te acorde
Que uma romãzeira brote diamantes brutos
Até que os desejos sejam puros e absolutos
Que do meu corpo saiam trovões
Até que nos jardins floresçam corações.
Que raios de luz me fulminem numa quimera
Ou me transformem a vida numa eterna primavera
Vou esperar-te num sonho…
Nas asas de uma andorinha
Neste verão

Sentada na rocha ou no chão
Na berma da estrada…
Na fenda de um vulcão
Talvez seja tarde…
Mas vou aguardar-te no meu coração

Maria da Conceição Marques

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Festa em honra de Santo António

  No dia 17 de Junho de 2017 realiza-se mais uma festa convívio em honra do Santo António em Murçós, com as diversas atrações, como indica cartaz, para além da Eucaristia campal e procissão, como já vem sendo uma tradição indispensável para este povo que sofre com a desertificação e velhice. Este será mais um encontro de paz e alegria, deixando de lado quezilas, ódios, e tantas divergências que só causam mau estar físico e psicológico. É a reconciliação com a fé, esperança e a alegria de poder enveredar pelos caminhos certos neste vale-de-lágrimas que dura apenas o tempo de passagem… mais curto que imaginamos. O espaço em volta da capelinha encontra-se agora em condições ideais para repousar à sombra das numerosas árvores plantadas, e as gigantescas mesas em granito convidam á reconciliação sem preconceitos nem diferenças sociais. Gostaria deixar desde já um grande agradecimento aos mordomos e a todos quantos trabalham para que este seja um grande evento de fraternidade paz e alegria, sobretudo para aqueles que sofrem do isolamento do peso da idade, e de doenças crónicas. Graças a Deus, por iniciativa de pessoas corajosas, tem havido vários convívios onde os presentes ultrapassam as expectativas, sinal evidente de que estas 
pessoas não querem ser consideradas excluídas, manifestando o desejo do reencontro fraterno, em troca de uma simbólica comparticipação. A reputação desta grande Aldeia que foi, é, e sempre será, pioneira nas temáticas que ligam os conceitos elogiosos, revela aos que desconhecem o sentido de paixão e amor, uma lição moralista, embora, pese a verdade, existam diferendos, divergências, e outras contrariedades, porque como é óbvio: aqui não vivem apenas Santos!...

Aproveito para salientar que Murçós evoluiu com os tempos, desde há dezoito anos que aqui vivo, contradizendo certas expressões criticas que ontem ouvi. Deixo fotos de algumas obras realizadas que hoje apesar de úteis embelezam a freguesia. Muitas outras poderia acrescentar, sobre tudo as mais recentes que não ousei fotografar sem consentimento, mas ficam os elogios. Também é verdade que se fizeram “bosteiras” como dizem os Brasileiros, mas quem as não faz? Talvez os que jamais se empenharam por razões que só a eles dizem respeito? Certo de que nada cai dos céus sem dedicação e sacrifícios, e não querendo entrar em polémicas baratas, cheguei à conclusão que só se faz o que se pode, venha Pedro Paulo ou Moisés.
remodelação da escola

Aqui como em muitas terras, nasceram árvores que enraizaram mas a força das circunstâncias obrigou-as a mudar de solo, talvez mais fértil cómodo e útil. Caminhos que foram para nós traçados, sinuosos ou não… e a liberdade de expressão permite-nos gostar ou não do que os outros fazem, mas para ter direitos no veto, temos obrigações de participar, de longe ou de perto. VENHAM NUMEROSOS À FESTINHA DO Santo António



Rua de Vale de Cavaleiro

Construção da casa mortuária

constrção da casa do povo

Restauração da Igreja

Refeição do adro

Encastração do cálice

Redieção do solo do cemitério e alargamento, o mais lindo do Distrito

Refeição total do adro escadas Igreja por dentro e por foro da qual esta gente se pode orgulhar sendo das masis lindas do Distrito