sábado, 14 de agosto de 2021

Quando a desgraça bate à porta

Os excluídos

Nascidos para serem seres humanos, mas, a comunidade condenou-os ao supresso julgando-os presencialmente, pelas roupas que vestiam,  pela indigência, vicissitude deplorável e ostentada mas mal disfarçada, esquecendo que todos nascemos da mesma maneira, não obstante possuir ou não ter nada onde nos possamos agarrar para não cair  na mendicidade que lentamente nos vai arrancando a dignidade e o alento abruptamente, deixando-nos desnudados sem esteio, famélicos, desvalidos, convalescentes ocasionais, subterfúgio para quem olha e não vê, porque não quer, embora finja sendo necessário alimentar aparências, fúteis, mas que contribuem para expandir o ego, a concupiscência num frenesim de festividades onde prevalece orgulhosamente a vaidade, onde os bens materiais são recorrentemente privilégios com duração vigente, porque se há justiça neste mundo igualdade e paridade está na chegada e na partida.

Eles tinham o destino marcado, tal como nós, mas indigna-me e mina-me saber, que sós, dentro de quatro velhas paredes, numa terra onde ( tout le monde est beau, tout le monde est gentil) não houve uma única pessoa que alertasse para a falta de os ter visto ainda com vida, durante três dias de agonia. Todos nós estivemos apenas preocupados em confecionar manjares grandiosos e beber uns copos na tasca que também eles frequentaram, como pobres de haveres e para muitos de espírito, o que não enaltece os procedimentos avarentos e indignos de seres humanos. Fossem eles alcoólicos ou atrasados mentais, bons ou maus, ricos ou pobres, ninguém merece ter um final de vida assim…

Para si mãe Ana que também partiu num dia destes onde quer que esteja, estará sempre no nosso coração

 

sexta-feira, 13 de agosto de 2021

Recordações


As saudades que eu já tinha
Da minha alegre casinha
Tão modesta quanto eu
Meu Deus como é bom morar
Modesto primeiro andar
A contar vindo do céu
As saudades que eu já tinha
Da minha alegre casinha
Tão modesta quanto eu
Meu Deus como é bom morar
Modesto do primeiro andar
A contar vindo do céu
As saudades que eu já tinha
Da minha alegre casinha
Tão modesta quanto eu
Meu deus como é bom morar
Modesto do primeiro andar

A contar vindo do céu






Teixedo 2021 for ever









 

sábado, 7 de agosto de 2021

O Puto de Vale dos Amieiros


 O que ficou por dizer in: “O Puto de Vale dos amieiros”

O salto para terras de França foi uma dádiva divina, para o agora já rapaz que continuava vivendo nesta pacata e adorável Aldeia, bem perto da serra da nogueira, onde o vento soprava, em dias medonhos de inverno, gelado e veloz levando consigo sonhos mal aconchegados, esperanças desvanecidas, que só a neve que frequentemente caía, branca e leve, silenciosa, poderia testemunhar que persistiria para sempre, embora o afeto se revelasse incondicional, mas, quando se é jovem, damos connosco a imaginar maravilhas em outros lugares, que por muito que estiquemos a corda ingénua, permanecemos submersos e impotentes. Já não encontrou as dificuldades daqueles que emigraram anos antes, na linguagem, e nas residências construídas pelas próprias mãos com materiais residuais ou em abarracamento, nos lugares nauseabundos, aglomerados e com as mínimas condições higiénicas de sobrevivência. O que mais o assustou foi uma hora a pés por montes e terrenos
acidentados, já em Calabor, numa casa que acolhia dezenas de fugitivos, sobressaltou-o a entrada de um passador que dias antes tinha estado em Rebordainhos fazendo perguntas discretamente sobre os que tencionavam fazer-se ao salto? Não era recorrente ver pessoas bem apresentadas chegar num “boca de sapo” ( GS Citroen) estacionar no prado, e fazerem perguntas sobre a emigração, pelo que tomamos este homem por mais um Pide à procura  de informações, e como não se podia abrir o bico nestes tempos, havendo já dois exemplos com o tio João Santo que um dia levaram embora este homem fosse a pessoa mais abstrata a politicas e tinha uma casa das mais abastadas da terra, e outra pessoa que guardou inocentemente um panfleto de greve vindo de Paris.

Foi-nos acordado um salvo-condutos pela guardilha deste desta Aldeia e seguimos de táxi para a Poebla de senabra onde tomamos o comboio até Irum e aí com o suborno do passador entramos noutro táxi e os guardas fizeram vista grossa para passarmos. Em Hendaye, já território Françês foram-nos entregues bilhetes para Paris onde chegamos por volta das 2h da manhã. Entramos noutro táxi que nos levou a Cité des fleurs no 17m arrondissement, e o chofer gritou de fora Várias vezes: MR Martin? Até que o meu primo chico abriu a janela do rés-do-chão para ver o que se passava. Pagou e ficamos entregues.

Foi em 1968 ano de numerosas manifestações, e imensas greves que paralisaram a França, pelo que encontrar emprego revelou-se missão impossível. É com imensa gratidão que me dirijo ao meu primo Francisco e esposa que me suportaram durante um mês, sobretudo que a loja era pequena, dormindo no chão junto da cama deles que obrigatoriamente, durante este tempo não puderam fazer uma vida normal de casados.

Também tenho que agradecer ao António “pintasilgo” e ao Moisés que pediram emprego para mim na construção civil onde me foi feito uma carta de estadia e outra de trabalho, assim como segurança social com contrato de 6 meses.

 

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quarta-feira, 28 de julho de 2021

Os nossos avós

Por terras do mundo maravilhoso

Foi já há muito tempo, quando se andava de pés descalços, por caminhos áridos e as pedras soltas martirizavam aqueles que apressados não reparavam sobre o que marchavam, soltando um aí de dor, mas já o dedo grande, sangrava, servindo-se de umas folhas quaisquer para o curativo do hematoma… voltava a pegar na enxada que punha no ombrito vulnerável, e seguíamos caminho pela canada da ribeirinha, vale de piteiras e múrio onde os ouriços secos, aguardavam um passo falso para ferrarem. O sol já ia alto começando a desidratar os caminhantes, mas, no múrio havia uma nascente, de água fresquinha e boa… havia um carreirão que nos levava a vale das vinhas, e depois até vale de miúça, onde a minha avó materna semeava batatas, já no limite do termo de veigas. Íamos regar as ditosas batatas com água acumulada num pequeno poço feito com a força dos braços. Já me não recordo quem me acompanhava, mas creio ser a minha irmã quatro anos mais velha que eu, e que vivia com a minha avó materna. De volta procurávamos alcaria (planta medicinal que

serve par infeções, chás dor de estomago, cujo nome científico crio ser: Platango major, em algumas terras “chrguacinha”) enchiamos um saco porque era uma zona onde abundava, e quase toda a gente utilizava de várias maneiras. À sombra de um carvalhal comemos uma côdea de centeio dura, e um pedacinho de queijo de cabra que a tia Mari da Graça tinha ofertado à mãe. Chegávamos a casa exaustos e aliviados do susto que o caminho tão longo por entre matagais, nos pregava. Já cerca da Aldeia ouviam-se carros a chiar, era a acarreja, para alguns já com tratores, rápidos e eficazes. A minha avó Lana, era assim que lhe chamávamos, era pobre e eu mal a conheci assim como o meu avô. Viviam numa pequenina casa no bairro da chave, criaram os seus quatro filhos, três raparigas e um rapaz, mas dois deles embarcaram cedo para o Brasil e o rapaz nunca mais voltou a Portugal. Deixou três filhos que a tia Dulce criou sozinha, com as dificuldades existentes nesse tempo? Eram assim os homens machistas de outros tempos, sem peso na consciência, e que eu não concebo que pudessem dormir descansados numa cama sabendo que

os filhos que reconheceu choravam dias e dias com fome!

Os meus avós paternos conheci-os melhor. Eramos vizinhos, ou melhor vivíamos numa dependência que lhes pertencia. Em dias invernais, embora as relações não fossem as melhores, ia para casa deles onde a lareira estava sempre acesa, mas ele com a sua bengala nem nos deixava aquecer os pés. Era uma casa grande onde residiam onze pessoas, netos de filha solteira e um filho solteirão que era quem fabricava para alimentar toda esta genteinha. Meu avô tinha um feitio esquisito, era rude com maus feitios, jogador e apanhava cada bebedeira? A minha avó era a mártir de serviço… levava pancada e era obrigada a pôr na mesa o que tantas vezes faltava. Também não era meiga connosco, nunca nos deu nem um copo de água para beber. Porém eram os meus avós e dedico-lhes este texto esperando que estejam bem em qualquer lugar, 

 
 

 

sexta-feira, 16 de julho de 2021

V O L T A R...

VOLTAR por António Braz

Volta o firmamento iluminado, pelo sol brilhante pelo luar, resplandecem as estrelas no azul que os céus lhes legaram, abrem-se as portas a quem quer entrar. Com o Outono voltam as folhas amareladas e mortas, e nos invernos tristes medonhos, voltam os pesadelos de quem não se pode abrigar. Cai a neve branca e leve, uiva o vento sem compaixão, não traz de volta o que levou e nem se sabe porque voltou… arrependimento não foi? Voltam as noites fogem os sonhos tão grande é a escuridão, há tantos morcegos à solta! Volta a primavera perfumada e florida, volta também o cuco a cantar, e as andorinhas brancas e negras nunca se esquecem de voltar. Volta o velho aos tempos de criança, aprende novamente a andar, são tão miudinhos os passos! Tenta o equilíbrio, mas cai, só deus o pode ajudar, ainda que queira falar, o seu tempo jamais vai voltar. Voltam as festas e as romarias, onde a alegria e a felicidade reinou, dançam os copos, bebem os pares, nos grandes recintos de beijos furtados, mas já não há olhar no olhar… nem abraços para ofertar. Volta o filho prodigo à

casa, já sem janelas nem portas, sem carinho sem amor já sem nada, queria pedir para voltar a entrar, para comer e pedir perdão ao jantar, àqueles que tudo lhe deram, e nada receberam ao voltar, nem sequer uma rápida visita ao lar. Volta fumegando o comboio, apita para avisar, que os que foram para lá jamais poderão voltar. Para os crentes volta a fé, mas a esperança não promete, nunca mais voltará a ser todos por um e um por todos, apenas cada um por si, volta o apelo: “Salve-se quem puder”. Voltam, filhos netos bisnetos, de terras de além-mar, mas nem a língua sabem falar, vieram apenas para verificar, terras bravias montes a gritar, pelos que espalharam tanto carinho e amor pelo ar, mas que já ninguém quer apanhar. Pedi à vaidade para não voltar, ao egoísmo para calar, à hipocrisia para abandonar, caminhos traçados por quem partiu para nunca mais voltar,

 
 

sábado, 3 de julho de 2021

Ser ou não ser


 

Por António Brás

É ou, não é?

Numa vida longa, para além dos predicados difundos subjugados e amplificados, emergem igualmente coeficientes desenvolvidos incognitamente, cujas fisionomias aparentes, nos indrominam obscurecendo, o que é e não parece ou vice-versa… quem atravessa montanhas rastejando, tropeça no que outros saltam, e navega em mares imaginários, sonha com fortunas que jamais cairão do céu, anda faminto e desalentado, entulhado dos pés à cabeça a qual há muito tempo perdeu o discernimento, é filho de quem? Padrastal ou cegonha ofuscada?


Todos bateram as palmas ao nascer! Mas, apresaram-se no retiro… ninguém quis saber o género que por certo pertencia aos transgénicos, por ter nascido no tempo onde o sistema hormonal sofreu um colapso… e quando crescer vestir-se-á como os outros, porque não é “a vestimenta que faz o monge”? Permanecerá no ninho até que 30,40, ou cinquenta anos tenham passado… vestirá roupas e calçado de marca, frequentará discotecas e bares onde o álcool e “cheirinho” o levarão ao êxtase, e, no dia seguinte retirará da velha carteira dos velhos o que estava guardado para a compra de um pão, e uns dentes de alho… já não precisam comer!



Relações sexuais não levam ninguém aos céus… e muito mais tarde só in victro prosseguirão as gerações porque as fertilizações estão decadentes, e já se pensa em guardar o necessário congelando-o enquanto isto não acabar completamente. Fazer amor pelo Facebook ou mensager, andarem pelas ruas pares de homens e mulheres, e querem adotar… mas, o quê?

Sejam cristãos e não utilizes os contracetivos. Não creio que seja vergonhos, é moderno

 


quarta-feira, 30 de junho de 2021

Amigos cento e dez

 







O amor verdadeiro, o amor sem emboscadas, a perfeição do amor. (...) Mas além da perfeição está o fastio: não lera esta verdade eterna proferida por uma mulher: «O amor só vive pelo sofrimento; cessa com a felicidade; porque o amor feliz é a perfeição dos mais belos sonhos, e tudo que é perfeito, ou aperfeiçoado, toca o seu fim.».

Onde Está a Felicidade?

Amigos cento e dez e talvez mais,

Eu já contei. Vaidades que eu sentia!

Pensei que sobre a terra não havia

Mais ditoso mortal entre os mortais

  

Amigos cento e dez tão serviçais,

Tão zelosos das leis da cortesia,

Que eu já farto de os ver me escapulia

às suas curvaturas vertebrais.

  

Um dia adoeci profundamente.

Ceguei. Dos cento e dez houve um somente

Que não desfez os laços quase rotos.

 

 

Que vamos nós (diziam) lá fazer?

Se ele está cego, não nos pode ver…

Que cento e nove impávidos marotos