terça-feira, 18 de outubro de 2022

Quando a casa dos avós se fecha

QUANDO A CASA DOS AVÓS SE FECHA Acho que um dos momentos mais tristes da nossa vida é quando a porta da casa dos avós se fecha para sempre, ou seja, quando essa porta se fecha, encerramos os encontros com todos os membros da família, que em ocasiões especiais, quando se reúnem, exaltam os sobrenomes, como se fosse uma família real, e, sempre carregados pelo amor dos avós, como uma bandeira, eles (os avós) são culpados e cúmplices de tudo. Quando fechamos a casa dos avós, também terminamos as tardes felizes com tios, primos, netos, sobrinhos, pais, irmãos e até recém-casados que se apaixonam pelo ambiente que ali se respira. Estar na casa dos avós é o que toda família precisa para ser feliz. As reuniões de Natal, onde a cada ano que chega, pensamos “...e se essa for a última vez”? É difícil aceitar que isso tenha um prazo, que um dia tudo ficará coberto de poeira e o riso será uma lembrança longínqua de tempos felizes. O ano passa enquanto nós esperamos por esses momentos, e sem perceber, somos de novo crianças...abrindo presentes, sentando-nos ao lado dos adultos na mesma mesa, brincando do almoço, e do aperitivo para o jantar, porque o tempo da família não passa. A casa dos avós está sempre cheia de cadeiras, nunca se sabe se um primo vai levar a namorada, porque lá, todos são bem-vindos. Sempre haverá um chá, um café ou alguém disposto a fazê-los. Cumprimentam-se as pessoas que passam pela porta, mesmo que sejam estranhas, porque as pessoas na rua dos seus avós são o seu povo, são a sua cidade. Fechar a casa dos avós é dizer adeus às canções com a avó e aos conselhos do avô, ao dinheiro que te dão secretamente como se fosse uma ilegalidade, chorar a rir por qualquer disparate, ou chorar a dor daqueles que partiram cedo demais. É dizer adeus à emoção de chegar à cozinha e descobrir as panelas, e saborear o melhor arroz doce do mundo. Portanto, se tiverem a oportunidade de bater à porta dessa casa e alguém a abrir, aproveitem. Entrem e fiquem por lá o tempo que puderem....Porque ver os vossos avós, dar-lhes um abraço e ficarem sentados junto deles, ouvindo as suas histórias. É melhor sensação da vida! Agora que os nossos avós e os nossos pais já partiram, somos nós os avós! E não iremos perder a oportunidade de abrir as portas de casa para os nossos filhos e netos para juntos celebrarmos o dom da família, porque só na família os filhos e os netos encontrarão o espaço próprio para viver o mistério do amor. Autor desconhecido

domingo, 16 de outubro de 2022

Amores de perseguição

Saía de casa apresada Com tamancos de salto alto calçados Vestia mini saia apertada Que os olhares indiscretos lançados Caiam-lhe no rosto meigo rosados Á porta do adro da igreja Seu amado a esperava Só para ver se aqueles olhos negros Secaram as lágrimas que chorava Por não ter a liberdade com que sonhava Dois corações que tanta luta travaram Duas almas gémeas que às escondidas se amaram Trocando somente passageiros olhares Montes de cartas entregues por confidentes Que secretamente lhe entregavam Naquela noite de festa e arraial Dois corpos envolvidos em poeira dançavam Tão unidos pela paixão acorrentados Seus lábios foram longamente saciados Não bastou para mais tarde serem separados Destino que tão cruel com eles foste E a felicidade lhe roubaste Vai àquela igreja e pergunta o que que te foi prometido e não ganhaste AB

sábado, 15 de outubro de 2022

Dia de sorte 55

Dia de sorte 55 De regresso às suas casas, depois de terem deixado no internato Fred, as palavras tinham sido escassas durante a viagem, onde um pesado silêncio dizia tudo. O miúdo compreendia as razões tendo assistido ao que naquele quarto foi dito com uma crueldade que quase o traumatizavam. A mãe acostumada a dirigir tudo, tornou-se numa leviana histérica cujo rancor lhe saía pelas guelras, cuspindo veneno de toda a maneira e feitio quando o filho lhe perguntava as verdadeiras razões porque o tinha manobrado daquela maneira tão repugnante que o humilhou para o resto da sua vida. -Era para teu bem e um homem não é maricas? O pai tentou intervir para acalmar os ânimos exaltados, mas foi-lhe ordenado de ficar de boca calada ou quando chegassem iria dormir debaixo da ponte. Francisco sentiu pena daquele que biologicamente era seu pai, com o qual tinha maravilhosas recordações de menino. Porém a palavra que efetivava o julgamento foi nunca mais o voltarem a procurar, vivia só mas possuía várias empresas, que adquiriu com o suor do seu trabalho. Exigiu que quando Fred fosse enviado para junto dele, trouxesse consigo um teste de paternidade, e que nem tentassem forjar o documento que os metia na prisão. Fred, era um rapaz inteligente, dócil e meigo, que no internato aprendeu as boas maneiras, educação, mas os seus sentimentos baralharam-se numa confusão indesejável. A mãe biológica tinha-o visitado cinco vezes apressadamente, durante todos aqueles anos comportando-se como quem está alheio ao que se tinha passado e a gestação de um filho colaborando com as intenções maléficas de uma pessoa consciente dos seus atos repudiantes mas que não mostrava arrependimento, ameaçando o marido de represálias se nem que fosse uma vez, passasse a linha da justiça e da verdade, que destruiu uma família que possuía tudo para ser feliz e se encontrava nas trevas onde prevalecia a discórdia e o sofrimento causados pelo orgulho e ganancia de uma mãe cujo amor, estima e carinho fora substituído por azedumes num dia que não era de sorte. Só no seu quarto, Fred ponderou longamente no que tinha ouvido do passado que até então ignorava, e no futuro junto de um pai que não conhecia, um estranho que também o abandonou do qual nunca teve um único gesto de afeto e carinho como um objeto longínquo á deriva num mar sem águas, vigiado por estrelas sem brilho nem cor envolvido numa neblina, onde não se reconheciam os bons dos maus, nem razões para ter nascido. Porém encontrou naquele desconhecido o apego inexplicável que o puxava com forças maiores às quais não conseguia resistir. Porém a pergunta surgia na sua mente: E se não corre bem? O problema de ele gostar ou não gostar de mulheres não o afetava, tinham-lhe ensinado que não nascemos todos iguais e de preconceitos estava liberto. Perguntava-se se seria possível um dia gostarem um do outro como pai e filho, seguirem em frente, visto já não se poder recuperar nada do passado sem abrir a ferida com a qual os brindou o destino uma pergunta que ficaria em suspenso. Gostava dos avós, mesmo sabendo o que agora sabia sentindo que as esperanças eram vãs de um dia poderem reconciliar-se. Valia mesmo a pena tentar? Era um rapaz corajoso, humilde, mas otimista, pelo que decidiu viajar para terras e gentes desconhecidas à procura da felicidade. Porém tinha surgido a fatalidade que Francisco tanto receava. Foram mais quinze dias ao lado do seu querido avó, não ficando nada por dizer entre eles, faleceu num dia chuvoso, e o neto andava arrasado, leu-lhe o testamento onde lhe legava a quinta dos seus amores, com a obrigação de cuidar da esposa até que fechasse os olhos. Também a idosa acusou a falta do companheiro de uma vida sem percalços, e de dia para dia o seu estado piorava. Francisco permaneceu ao lado deles durante dois meses, era o seu próprio patrão que lhe permitia dispor do tempo utilizando o computador para reuniões e conferências, mas aquela dor martirizava-o dia e noite. Era um amor profundo que o seu coração dedicava aos avós eternamente. Por AB in dia de sorte

segunda-feira, 10 de outubro de 2022

Foste o que já não és

Custa tanto acordar de um sonho lindo que alimentou o nosso corpo e a mente, amanhecendo envolvido num turbilhão, de incertezas, de desconfiança, por nos sentirmos traiçoeiros com os que em tempos considerávamos afáveis, onde depositávamos intensamente o que julgávamos ser amor incondicional, mas que não era mais que um apego levado lentamente pelo tempo com a ajuda do vento para a obscuridão de onde surgem apenas vestígios daquilo que um dia chamámos reino maravilhoso onde se partilhava como irmãos, se ria às gargalhadas, brincando nas ruas cobertas de palha, jogando com jogos bárbaros cujo prazer enchia o corpo e a alma, no prado rejubilando com o primitivo ornamento, e hoje chora em silêncio aquele charme roubado pelo poder local, porque já era pequeno para muitos, e agora é imenso para tão poucos, sentindo-se tão só e abandonado, traído e martirizado pelos caprichos de gente com coração de “fraga” destruidores de sonhos, como ditadores antigos, que pedra a pedra mandou retirar a fonte do Espinheiro, onde começaram tantos namoros que acabaram em casamentos, lugar sagrado onde nos ares flutuava amor, carinho, amizades, beijos roubados, até que caiu a sentença de Salomão, mesmo oferecendo-lhe outras opções, demolir figurava no instinto de uma pessoa, que mandou esconder as pedras para que a revelia ficasse sem argumentos para manifestar desacordos.
Eras a terra que fazia bater corações, que acolhia e tratava os convivas com dignidade carinhosa, onde se vivia em comunidade sem complexos nem preconceitos. Chamava-te a minha terra e hoje penso que não és a terra de ninguém, apenas uma Aldeia na encosta da serra da Nogueira, vigiada e protegida pela senhora da serra. Quem abandona, sejam quais forem as razões, corta o direito de lhe chamar seu. Os teus famosos bairros ficarão eternamente nos anais dos que lá viveram ou que por perto passaram. O da Chave que tantas portas abriu, mas a fechadura ruiu tornando impotentes os que tentam ainda teimosamente entrar construindo ninhos de beleza que só ouvem as badaladas do sino, que melancólico recorda tempos passados. A Portela bairro escolar onde as aventuras se sucediam, na eira do tio Amadeu, na encosta da tia Laura, ou em volta da casa do tio Hermenegildo onde o Juiz e o Amancio discordavam sempre só para meter ferro, nas escadas da tia Dulce onde nos assentávamos a saborear o sol frágil de manhã ou o ardente da tarde envolvidos em” landonas”, sem graça, mas engraçadas, O do Outeiroconsiderado snob e pouco frequentado, felizmente existia a eira do tio Zé Suca para grandes jogos de futebol. O bairro das pedras passagem obrigatória para quem quer seguir para a estação onde o tio Azevedo esperava para passar o bilhete para a grande máquina a vapor. Também a eira do tio António Piloto foi palco de imensos jogos de roda, cantos e danças ao som do tear da tia Irene, para cá para lá. O cruzeiro é a nossa obra envergonhado por estátuas que escultores improvisados realizaram pior que os bonecos do Sr. Oleiro da 3ª classe. Ó terra que tanto amei, e sofri longe ou perto de ti, perdoa esta cobardia, porque o meu coração deixou de sentir o que sentia, o meu olhar deixou de penetrar nas casas e nas pessoas, vagueia por desconhecidas orações, e morre no que um dia começou.

terça-feira, 4 de outubro de 2022

Uma descrição quase perfeita, de um apaixonado cujo hobby a caça grossa ou miuda, o seu paraiso onde juntamente com os cães se alheiam durante horas sem fim à existencia de prazeres mundanos, aferidos ao peso e à medida de atos ixentos de regras, espairecendo ao sabor da natureza mãe, usufruindo da beleza selvagem, em silencio, onde recolhem o oxigénio e a sensatez de caminhantes errantesque da liberdade que os embala e acaricia com profunda afetuosidade, longe ou perto, gelados mas nunca cansados sendo puxados por cordas invisiveis, criticados, envejados e desconsiderados até que passam com excelência na prova escrita.ROUBEI PARA MOSTRAR A OUTROS COMO EU QUE A VESTIMENTA NÃO FAZ O MONGE. ESPERO SER DESCUPADO Jorge Cèsar Afonso 2 h · Perdizes de montanha transmontanas. Gastando o dia noutra actividade também cinegética, saí nesta abertura de 2022 com os 2 cães de pêna apenas pelas 16h00. Imerso nesta paixão da caça grossa ,há muito não me dedicava às perdizes. Temos neste canto do céu umas poucas das bravas... das de sempre vivendo nestas serranias de parco alimento entre giestas ,esteva e as urzes de Miguel Torga. É uma ave apaixonantemente brava ,bela e difícil. São as galináceas para mim as mais fascinantes das aves de caça. Procura-las é procurar um Graal ,e encontrá-las é encontrar o sagrado. Solta a parelha de cães, o seu buscar era por si só regalo suficiente para este dia de caça. A beleza aumenta à medida que subimos a serra e deixamos para trás a aldeia para um mundo só nosso. Acaricio a sobreposta, é uma arma nova na minha mão. Atirei com ela 2 cartuchos . Cai-me à cara perfeitamente. Não sendo uma westley Richards é uma arma de grande beleza ,produzindo as suas platinas inteiras ainda que falsas um belo efeito. Têm extractores automáticos e algo que até agora abominei ..monogatilho. Sendo monogatilho mecânico e não estando a procurar um Búfalo ferido na palha a segurança transmitida é mais que suficiente. Na cartucheira levo como munição principal uma caixa de mini magnum 42 gramas de chumbo 7 oferecida por um amigo que a comprou por engano há uns vinte anos..nos 2 tiros que dei com eles antes de iniciar a caçada parecem estar bons . Garantiu-me terem sido conservados ao seco numa gaveta do móvel da sala ao longo destes anos...bem ,se falhar algum não estamos a seguir nenhum Leão ferido na palha!! Por entre umas arçanhas depois de um rabear de excitação de Apache salta a primeira perdiz . Entendo o purista que não atira a uma peça que não seja parada pelo seus cães...também eu o fiz nos meus dezanoves e vinte anos. No entanto a evolução foi para mim inversa ..procurando agora aproveitar mais oportunidades em caça prática com perdizes que não se deixam parar regularmente antes do terceiro voo. Dou então fogo nesta Beleza alada que cai seca uns 40 metros abaixo. É apache que a encontra no meio do silveiral ,os festejos são muitos e a alegria entre os três imensa. O Braco duro e bruto como só ele dá-me uma cabeçada no maxilar que comprovo com a mão livre não ter partido. Gosto de cães assim duros ,bravos e rudes. É este bruto dono de uma psicologia fortíssima com a qual não se sente nem quebra minimamente quando corrigido, acatando apenas o recado. É o cão certo para um dono igualmente bruto e sentimental. Seguimos com o dia mais que ganho a encosta ,no alto um esponjadouro recente e uma busca insistente num monte querencioso leva ao levante de uma nova perdiz também esta sozinha ...possivelmente algum caçador de coelho por aqui andou partindo o bando pela manhã ao ser levantado mais que uma vez com os podengos. A forte carga deixa também esta seca num lance a curta distância por entre as giestas altas . Festejamos esta segunda mais realizados que com a primeira, mas contudo já sem a mesma intensidade. Subimos agora para o pico da serra onde quase nenhum caçador vai durante o ano. Levanta de asa aberta uns 300 metros à nossa frente um bando de 5 perdizes. Corro a desviar-me da árvore que me impede acompanhar visualmente a progressão do seu voo. Sigo com a vista durante uns 800 metros a sua rasante depois dobram o cabeço dando já sinais de procurar poisar. Vamos por elas que nos cai a noite encima. Procuro as entradas certas neste mato onde só um javali pode romper. O monte alto ,duro e seco bate no osso das canelas das pernas rasgando . Os meus 2 inexperientes e afoitos ajudantes que tanto gostam de buscar na minha frente seguem-me agora com dificuldade à retaguarda passando no carreiro por mim aberto. Faz-lhe bem picar assim a pele ,é isto que os torna cães de caça distanciando-os do miserável Yorkshire de apartamento. Quase a chegar ao local onde imagino terem poisado começa a ser menos espesso com alguns carreiros de javali que facilitam a progressão e a vista mais desimpedida para atirar. A primeira contudo arrota à minha direita por trás de um pinheiro entre as urzes altas que me impedem vê-la. Estão aqui ,estão aqui!!!!!!!!! Vão levantar uma a uma aos pinguinhos seguras por este matagal e pelo voo largo , do qual não tiveram ainda tempo de recuperar. Falta uma para o cupo. Estão presas Apache, penso enquanto aligeiro o passo batendo de peito contra as urzes procurando subir 30 metros onde penso poderei dominar qualquer levante nas imediações. Chegado ao ponto pretendido levanta o fervoroso Braco a segunda. Pulou na vertical ,subindo como um helicóptero ou um Deus Gerifalte. Na minha mente parece ter parado suspensa no ar ali largos minutos como um televisor que se põe em pausa. Talvez num mundo paralelo a vida tenha continuado . Talvez nos restantes confins do planeta as pessoas falassem freneticamente baixando uma rua de Lisboa, como gotas apertadas pelo rio numa trovoada de Agosto . Talvez uma multidão na Geórgia gritasse pelos Atlanta Braves...não o desminto!!! Mas asseguro que ali no alto da serra o meu mundo parou naquela perdiz suspensa por cima das urzes. Admirei durante esses largos minutos em que o universo parou... o vermelho da sua penugem, tão vermelho como o sangue do Cristo a contrastar com o verde imerso naquele doirado resplandecente deste sol pisco do mágico Outono. Com o meu corpo paralisado aquele largo tempo senti o cheiro das suas penas....no seu olho esbugalhado vi de relance a passagem de toda a sua vida presa por amor aquela terra. Sorvi a sua alma ,a sua existência. Sorri !! Depois desse momento de fascínio entre predador altiva presa alguém ligou novamente o interruptor..talvez o criador disto. Eu que até então estivera ali como boneco ao que se lhe acabou a pilha enebriado ,senti de repente um Brrrrrr ,senti novamente força nas pernas ,nos braços e num mundo acelarado agora 10 vezes os normais 30200 m/s aponto visando aquela massa fascinante que agora seria minha e só minha. No primeiro tiro sinto um tzzzc..o fulminante não deflagrou. Preparado por Africa a não bloquear e manter o sangue frio caso o primeiro tiro não saia ou não surta efeito dou-lhe fogo com o segundo cano. Vantagens do monogatilho mecânico !!. Cai desamparada ,largando penas no ar. Seca,.pensei!! Sabia que as outras 3 estariam ali próximas esperando a sua vez..mas o cupo estava feito e tínhamos agora uma das mais belas criações de Deus morta e para encontrar. Chamo os cães gastando o que restava do dia sem a encontrar levantando outra a que não atirei. Saímos já com a lua posta e o astro rei escondido . Chegados a casa fui recebido com grande alegria por minha avó e minha mãe que grandes apreciadoras da carne destas aves ,mas tinham encomendado na véspera ,preferindo-as ao habitual javali. Deixa um bocado esses bichos grandes e caça mais perdizes e coelhos..é uma caça mais fina insiste por vezes minha avó. Ontem de manhã cedo ali nos dirigimos novamente procurando a ferida. Apache cansado contra o habitual em si abanava a cauda, não fazendo tensões de sair da sua casota. Anda meu caro ,um profissional dorme quando pode. Extrai prazer caçando sem dormir ,sem comer e sem beber. Caça quando pode, e descansa quando pode. Á chegada levantamos ontem segunda feira outra perdiz do bando que ali tinha pernoitado, e se domingo fiquei convicto que estaria ali pendurada no mato em altura onde os perdigueiros não lhe davam alcance...ontem comprovei que caíu de asa e por inexperiência a deixamos abalar.

sexta-feira, 30 de setembro de 2022

Menino triste

O MENINO TRISTE Vi um menino descalço e triste De roupas sujas, rasgadas As lágrimas lavavam-lhe rosto Caindo-lhe dos olhos verdes como as águas Porque choras menino triste Perguntei pegando sua mão Tenho fome e tenho frio … respondeu Lá em casa não há pão Perante tão cruel realidade Que me fez doer por dentro Com um aperto no peito Sem saber o que dizer Peguei o menino pela mão E lhe dei uma refeição Dos seus olhos brotavam gotas Fecundadas pela miséria Um anjo puro inocente De olhar doce e cativante Uma alma que viaja sem maldade Um ser humano, pequeno e frágil Vítima da crueldade Deste mundo atroz infame Percorrendo aquelas ruas Com lágrimas num olhar triste Desconhece a felicidade E sozinho sofre…resiste Todos os dias eu corria No mesmo sítio ali estava O menino de olhos verdes como as águas À mesma hora por mim esperava Quando me via sorria O seu olhar transparecia alegria Porque a fome eu lhe matava E de voz rouca e mansa agradecia Se cada um de nós estendesse A mão a uma pobre criança Deixaria de haver miséria Passaria a haver mais esperança Acredito num mundo ideal Com homens de amor mais profundo Cuidemos de todas as crianças Que são o melhor do mundo Lurdes Rebelo

sábado, 24 de setembro de 2022

OUTONO

Outono São folhas de seda Caindo sobre mim E trazem no ventre Cheiros de alecrim São ventos que sopram Levando consigo Ternuras carinhosas Por caminhos que sigo Oh senhor! De terras bravias Serras nuas que não são de ninguém Onde vivem rochas amaldiçoadas Que foram um dia choradas por alguém De branca neve vestidas Que a lua com seus raios de luz faz brilhar Pedindo, rezando e clamando Para as andorinhas um dia voltar Despe-se sem vergonha a natureza Choram as nuvens no cinzento céu Tocam os sinos, uivam os lobos O que terá sido que aconteceu Porque só as viúvas vestem de negro E a chuva desapareceu AB